ASSEMBLEIA DE DEUS BRASIL

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Escola Bíblica Dominical aula 9



Aula 09 - FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ

1º Trimestre/2017

Texto Base: Hebreus 10:35-39

"Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2Tm.2:13).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre a respeito das “obras da carne e o Fruto do Espírito”, trataremos nesta Aula da Fidelidade, contrapondo com a idolatria, que é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus em nosso coração. Muitos, infelizmente, têm deixando que os bens materiais, os talentos e o poder ocupem o lugar em seus corações, lugar que deve ser somente de Deus (Dt.6:5). A Fidelidade nos ajuda a banir de nossas vidas todo e qualquer ídolo.

A Fidelidade é uma qualidade do Espírito Santo voltada para a própria pessoa. Ela é um elemento fundamental na vida espiritual do crente. No início da conversão, muitos desenvolvem uma fé inabalável, revelando sua fidelidade ao Senhor, mas com o passar dos anos, diante das muitas adversidades, os crentes vão esmorecendo na fé e comprometendo a sua fidelidade para com o Senhor. Todavia, não podemos nos esquecer de que precisamos permanecer fiéis até o fim, condição sem a qual não receberemos a “coroa da vida” (Ap.2:10). Lembremos que o deserto é a trajetória de nossa caminhada rumo à Pátria Celestial. Logo, enfrentamos momentos difíceis, mas Deus está conosco nos dando a vitória diante das intempéries; Ele está no controle de tudo. O Deus que sustentou o povo de Israel no deserto durante 40 anos, que sustentou Abraão e seus descendentes é o Deus que vai nos sustentar e ajudar-nos a enfrentar as adversidades da vida. O que Ele quer de nós? Certamente, Fidelidade a Ele.

I. O SIGNIFICADO DE FIDELIDADE

1. Definição. Fidelidade é a característica de quem tem bom caráter, de quem é leal, é fiel e demonstra respeito por alguém e pelo compromisso assumido com outrem; é sinônimo de lealdade. Se Deus procura os fiéis da terra para que estejam com Ele, a Fidelidade, entre outras virtudes, é algo que atrai a atenção de Deus. A vida de Paulo é um exemplo de como podemos vencer as crises e permanecermos fiéis ao Senhor.

2. A Fidelidade como Fruto do Espírito. A Fidelidade como Fruto do Espírito é desenvolvida em nós pela ação do Espírito Santo (Gl.5:22). À medida que confiamos em Deus e passamos a ter uma maior comunhão com Ele, mediante a leitura e estudo da Palavra de Deus, e oração, desenvolvemos o Fruto do Espírito.

Segundo o Pr. Antônio Gilberto, “a Fidelidade como Fruto do Espírito tem muito a ver com a moral e ética cristã. Esse fruto abençoado coloca o padrão cristão no nível de responsabilidade em palavras e ação. Houve um tempo em que a palavra de um homem tinha grande valor, e um aperto de mão era tão bom quanto um contrato assinado. Isto não parece ser verdade em nossos dias. Mas o homem que anda com Deus é diferente, porque nele está a lealdade, honestidade e sinceridade. O Espírito Santo sempre concede poder para o cristão ser um homem de palavra. A Fidelidade como Fruto do Espírito nos torna leais a Deus, leais a nossos companheiros, amigos, colegas de trabalho, empregados e empregadores. O homem leal apoiará o que é certo mesmo quando for mais fácil permanecer calado. Ele é leal, quer esteja calado, quer esteja sendo observado, quer não. Este princípio é ilustrado em Mateus 25:14-30. Os servos que eram fiéis e fizeram como foram instruídos mesmo na ausência do senhor foram elogiados e recompensados. O servo infiel foi castigado" (GILBERTO, António. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD.2004 p. 112).

3. Fé e Fidelidade não é a mesma coisa. Embora muitos considerem que Fé e Fidelidade são a mesma coisa, ou tem significado idêntico, nós nos permitimos pensar de forma diferente. Acreditamos que são duas virtudes diferentes. Acreditamos que em Gálatas 5:22, quando Paulo diz que uma das virtudes do Fruto do Espírito é a fé (ARC), ele está se referindo à Fé Espiritual, e não a Fé Natural.

A fé natural é uma virtude própria da natureza do ser humano. Todo ser humano a possui. Esta pode até guardar alguma semelhança com a fidelidade. Tanto que, na língua grega, que não cuidava de coisas espirituais, a palavra “pistis” tanto significava fé, como também fidelidade.

João Ferreira de Almeida, que concluiu em 1670 a Tradução do Novo Testamento, do grego para a língua portuguesa, houve por bem, em Gálatas 5:22, traduzir o vocábulo “pistis” por fé.

Certamente que, na época, como também hoje, na língua portuguesa fé não tem o mesmo significado de fidelidade.

No sentido que nossa língua dá às duas palavras, um homem religioso pode ser fiel ao seu deus, ou ao ensino religioso que recebeu, mesmo não tendo a fé espiritual. O ateu, ainda que negue a existência de Deus, pode, e é fiel à sua doutrina. Assim, enquanto o homem natural, religioso, ou não, pode manter absoluta fidelidade ao seu deus, ou à doutrina na qual foi educado, ou formado, a ponto de morrer em sua defesa, é certo que esse homem não possui a Fé Espiritual. Aconteceu com Paulo, antes de ser cristão. Ele era um homem que consagrava absoluta fidelidade à doutrina do judaísmo na qual era formado e dedicava completa lealdade aos de sua nação, contudo, não possuía a Fé Espiritual.

A Fé Espiritual é um dom de Deus. Segundo a Bíblia, o Senhor Jesus é o seu autor e consumador – “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé...” (Hb.12:2), ou, como diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: “Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa...”. Biblicamente, só existe uma maneira de o homem adquirir esta fé, é pela Palavra de Deus – “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm.10:17). Nenhum homem, por mais fiel que seja a qualquer deus, a qualquer doutrina, mesmo aquelas fundadas em boas obras, será salvo sem esta fé – “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2:8). A Fé Espiritual é essencialmente divina. Homem algum, em tempo algum alcançou, ou poderá alcançar a Salvação sem antes adquirir esta fé. Ela nunca foi e não será jamais adquirida por qualquer tipo de esforço humano, por mais sincero que seja, ou pelo pagamento de qualquer quantia.

É, pois, absolutamente possível manter fidelidade e lealdade a alguém, ou a alguma coisa, mesmo sendo, apenas, um homem natural. Não se pode negar que existem muitos maridos, não crentes, que mantêm absoluta fidelidade às suas esposas. A recíproca é também verdadeira. Enquanto isso acontece, existem maridos e esposas crentes, salvos, que, às vezes vacilam, escorregam e caem.

Acreditamos, portanto, existir fidelidade sincera, real, absoluta no homem natural, no qual não existe a fé espiritual. Portanto, para nós, fidelidade, ou lealdade, não tem o mesmo significado da Fé Espiritual, são duas virtudes diferentes.  Enquanto a Fé Espiritual só pode ser recebida de Deus e através de Sua Palavra, a Fidelidade pode ser transmitida e gravada no caráter do homem através do ensino, da doutrinação, de tal forma que, em nome dessa fidelidade, ou lealdade, a pessoa chega a abrir mão da própria vida; ela pode existir no pecador mais renitente, no ímpio, no religioso, no ateu e materialista; homens que morrem, mas, não negam suas doutrinas e suas crenças; homens fiéis, homens leais, porém, sem Fé Espiritual.

4. A Fidelidade de Deus. Uma das principais características divinas é a sua imutabilidade. Ele é fiel em sua natureza (2Ts.3:3). Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Tg.1:17). A Bíblia ressalta, ainda, que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8). Ora, esta imutabilidade leva-nos à conclusão de que Deus, as três Pessoas, é fiel, pois, todo aquele que não muda, que mantém firme a sua posição é fiel. O Deus que é fiel, pela sua graça, nos salvou e nos deu uma nova vida a fim de que tenhamos comunhão com Ele e com o seu Filho (1Co.1:9). Como filhos de Deus e novas criaturas (2Co.5:17), precisamos ter para com Deus a mesma atitude de lealdade que Ele tem para conosco.

a) Deus é fiel no cumprimento de suas promessas. Deus cumpre os compromissos que assume, é leal. Todos os pactos constantes na Bíblia que foram firmados entre Deus e o homem sempre tiveram, da parte de Deus, seu pleno cumprimento.

- No Éden, Deus prometeu vida ao homem enquanto ele não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, o que foi rigorosamente cumprido.

- Antes do dilúvio, prometeu salvar Noé e sua família na arca, o que cumpriu e, posteriormente, prometeu nunca mais destruir a Terra com um novo dilúvio, o que tem se cumprido desde então, pois nunca mais houve um dilúvio universal.

- A Abraão, homem sem filhos e já idoso, prometeu uma descendência como a areia do mar e que dele sairiam povos e reis. Deus tem cumprido este compromisso, como podem testemunhar os milhões de judeus e árabes que hoje existem.

- A Israel, Deus prometeu que seria sua propriedade peculiar, seu reino sacerdotal e tem cumprido até aqui a sua parte no pacto, preservando a nação israelita, apesar da incredulidade dela, ao longo dos séculos, de forma evidentemente miraculosa, como foi a restauração do Estado de Israel no local geográfico escolhido por Deus, como prova de mais um compromisso que Deus tem cumprido, a de entregar a Terra de Canaã a Israel.

- A Davi, prometeu que sua descendência governaria eternamente sobre Israel e sabemos que a vinda de Cristo, que é descendente de Davi e vivo está, é a demonstração do cumprimento desta promessa, pois para sempre o Senhor reinará sobre Israel.

- À Igreja, prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, e é o que tem acontecido; Satanás tem investido ferozmente todas as suas ferramentas destruidoras contra a Igreja, ao longo de seus dois mil anos de existência, mas essas ferramentas não foram capazes de mudar o foco da Igreja e nem de arrefecer o seu ânimo no cumprimento de seu dever: pregar o evangelho a toda a criatura. Milhões de crentes foram mortos, mas o sangue dos mártires tornou-se a sementeira do evangelho. Nosso Deus é Aquele que vela pela sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12).

b) Deus é grande em Fidelidade. As Sagradas Escrituras confirmam isto:

- Lam.3:23: “Grande é a Tua fidelidade”.

- Êxodo 34:6: “E, passando o Senhor por diante dele [Moisés] clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente, e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade”.

- Salmo 57:10: “A Tua benignidade, Senhor, chega até aos céus, até as nuvens a Tua fidelidade”.

- Salmo 108:4: “Porque acima dos céus se eleva a Tua misericórdia, e a Tua fidelidade para além das nuvens”.

- Salmo 89:8: “Ó Senhor Deus dos Exércitos, quem é poderoso como Tu és, Senhor, com a Tua fidelidade ao redor de Ti?”.

c) A Fidelidade de Deus é Eterna. Afirmam as Escrituras Sagradas:

- Salmo 117:1,2: “Louvai ao Senhor vós todos os gentios, louvai-O todos os povos. Porque mui grande é a Sua misericórdia para conosco, e a fidelidade do Senhor subsiste para sempre. Aleluia!”.

- Salmo 100:4b-5: ”rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Porque o Senhor é bom, a Sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a Sua fidelidade”.

- Salmo 119:90: “A Tua fidelidade estende-se de geração em geração...”.

- Salmo 146:6: “que fez os Céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e mantém para sempre a Sua fidelidade”.

- 2Tm.2:13: “Se somos infiéis, Ele permanece fiel...”.

II. IDOLATRIA E HERESIA: UM PERIGO À FIDELIDADE

1. O que é idolatria? É colocar qualquer coisa, ou pessoa, em lugar de Deus. Significa que Deus deixou de ocupar o lugar central na vida do homem, para ficar em segundo plano. Logo, se colocarmos os bens materiais acima de Deus, estamos incorrendo no pecado da idolatria.

A idolatria aparece na relação de obras da carne apresentada por Paulo aos Gálatas (Gálatas 5:20), por isso é tão comum em tantas culturas, mas é abominável para Deus porque através da idolatria o homem rejeita o Deus Criador em troca da criatura.

O ser humano acredita mais facilmente em coisas visíveis do que em um Deus invisível (1Tm.1:17). Por isto, ele é tendente a fazer ídolos para reverenciá-lo. A palavra ídolo vem do grego “eidólon”, e significa imagem; é, pois, uma representação da divindade, de que se faz objeto de culto, usurpando essa imagem o lugar de Deus e recebendo a adoração e o culto que só a Ele é devido. “Os israelitas, embora tivessem visto de perto a glória e o livramento de Deus, por diversas vezes se deixaram levar pela idolatria. Ainda na travessia do deserto, quando Moisés estava no monte Sinai para encontrar-se com o Senhor, o povo fez um bezerro de ouro e o adorou (Êx.32:1-18). Já no período monárquico, depois da morte de Salomão e a divisão do reino, todos os reis do Reino do Norte fizeram o que era mal aos olhos do Senhor, levando o povo à adoração de ídolos (1Rs.16:25,30; 22:52-54; 2Rs.3:3). Jeroboão I, fundou um sistema religioso idólatra, mandando fazer dois bezerros de ouro, institucionalizando a idolatria em Israel (1Rs.12:26-33).

O ídolo é veementemente condenado na Bíblia – “Maldito o homem que fizer imagem de escultura ou de fundição, abominação ao SENHOR, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido! E todo o povo responderá e dirá: Amém!” (Dt.27:15). Os dois primeiros mandamentos proíbem a adoração de imagens, bem como a adoração a qualquer outro deus (cf. Êxodo 20). A idolatria era classificada como uma ofensa de estado e cheirava traição, devendo ser punida com a morte (Dt.17:2-7). Leia mais: Lv.26:1; 1Sm.12:21; Sl.115:2-8; At.15:20; 1João 5:21).

Todavia, idolatria não é somente adorar a imagens, no sentido físico, é também adorar tudo aquilo que toma o lugar de Deus em nossa vida, aquilo que amamos, nos dedicamos, entregamos toda a nossa atenção, intenção e tempo, em detrimento da presença de Deus em nossa vida, aquilo que rouba a nossa adoração e comunhão com Ele.

Muitas vezes, o trabalho, a faculdade, prazeres, propósitos de vida, filhos, enfim, tudo isto é bênção do Senhor, mas não podem ocupar o lugar do Senhor em minha vida, não podem roubar a nossa adoração e o nosso tempo com Deus; Ele precisa estar no centro, mas quando todos esses fatores de nossa vida estão cheios da nossa atenção, dedicação e tempo, de maneira que não há mais tempo para orar, não há mais tempo para adorar e relacionar-se com Deus, e ouvir a sua voz através da sua palavra, e o problema maior é que perdemos a sensibilidade espiritual e passamos a viver assim, então há ídolos na nossa vida.

Não podemos jamais esquecer que tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus, em nosso coração, é idolatria. Qualquer pessoa ou objeto a que nos dedicamos com extremada atenção, e que não podemos viver sem os quais, podem se tornar um ídolo. A idolatria é a quebra da nossa fidelidade ao verdadeiro Deus.

2. Heresia. Heresia vem da expressão grega “háiresis”, que pode ser entendida como uma escolha que resulta numa separação. Segundo o Dicionário Teológico (CPAD) podemos definir heresia "como uma rejeição voluntária de um ou mais artigos da fé". Aquela pessoa que, embora conhecendo a verdade, desvia-se dela, abraçando uma doutrina falsa, ou uma doutrina contrária àquela revelada pela Bíblia Sagrada, chamamos de herege. O herege não é um cristão. A Bíblia fala de heresia em 2Pedro 2:1 e Judas 4, e afirma que é um fruto da carne (Gl.5:20).

Vamos entender melhor este assunto, tomando o seguinte exemplo: o Brasil tem um sistema federativo de governo. Embora formado por 27 Estados, tem um único presidente e é regido por uma só Constituição. Cada um dos 27 Estados tem sua própria constituição e pode fazer suas próprias leis. Há, porém, um limite para estas legislações - as constituições e as leis estaduais precisam estar de acordo com a Constituição Federal; esta representa a lei maior e não pode ser violada.

Assim, a Bíblia Sagrada é a Constituição, ou a Lei Maior que rege a Igreja do Senhor que está aqui na Terra. Cada igreja local, bem como cada denominação evangélica, à semelhança dos estados brasileiros, pode ter sua organização própria, seu governo, suas leis, desde que estas estejam de acordo com a Bíblia Sagrada.

Assim, só será considerada uma igreja evangélica aquela que estiver de acordo com as doutrinas bíblicas. Elas podem ter diversas diferenças, entre si, assim como cada estado tem seus próprios costumes; embora a língua oficial seja a mesma, há diferença de pronúncias, variam os sotaques em cada região, há diferenças alimentares, climáticas, etc. Tudo é permitido desde que a Constituição Federal seja obedecida. Caso um Estado passe a legislar de forma contrária à Constituição Federal, e persista em continuar no erro, será considerado um Estado rebelde e estará sujeito a sansões penais. Assim é a heresia; ela não é uma denominação, ou igreja evangélica; ela é rebelião contra as doutrinas bíblicas.

Uma Heresia tem suas próprias doutrinas e estas são sempre contrárias às verdades bíblicas. Os seguidores de uma determinada heresia formam o que chamamos de SEITA. Daí, biblicamente, não podemos confundir uma denominação, ou igreja evangélica com uma Seita. Uma Seita é sempre regida por uma doutrina antibíblica.

Precisamos ter cuidado, pois atualmente muitos estão se utilizando de argumentos falsos para enganar e macular a Igreja do Senhor. Estamos vivendo tempos difíceis, nos quais muitas igrejas já não conservam mais a sã doutrina, sendo os crentes enganados por filosofias humanas e ensinos de demônios contrários à Palavra de Deus. Devemos, portanto, acatar a exortação de Paulo: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tito 2:10,11). Perceba neste texto a gravidade que representa uma heresia. Contemplando e avaliando a galeria onde as heresias estão colocadas e a sentença de que o herege não herdará o Reino de Deus não se pode deixar de considerar o perigo que uma heresia representa para “uma Igreja”, e o porquê Paulo, falando sobre o herege, disse: “evita-o”.

III. SEJAMOS FIÉIS ATÉ O FIM

A Fidelidade é um princípio básico da vida cristã. Hoje os maridos e esposas estão quebrando os votos assumidos no casamento. Os crentes estão quebrando os votos feitos na profissão de fé. Como ser um crente fiel em tempos de adversidades? Tomemos como exemplo a fiel igreja de Esmirna; ela foi uma igreja sofredora, perseguida, pobre, caluniada, aprisionada, enfrentando a própria morte, porém, uma igreja fiel que só recebeu elogios de Cristo (Ap.2:8-11).

“E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu: Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte”.

É válido ressaltar que, dentre as sete igrejas que receberam cartas, somente duas receberam elogios: Esmirna e Filadélfia. Sabemos que não há igreja local isenta de imperfeições, mas na carta endereçada à igreja em Esmirna não foram apresentadas pelo Senhor as suas imperfeições. Isso deve nos servir de lição: uma igreja pobre e perseguida não recebeu repreensões do Senhor, mas elogios, não porque era pobre e perseguida, e sim porque era fiel a Jesus.

1. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo em meio à tribulação (Ap.2:9). Tribulação tem a ideia de aperto, sufoco, esmagamento. A igreja estava sendo espremida debaixo de um rolo compressor. A pressão dos acontecimentos pesava sobre a igreja e a força das circunstâncias procurava forçar a igreja a abandonar a sua fé. Os crentes em Esmirna estavam sendo atacados e mortos. Eles eram forçados a adorar o imperador como deus. Segundo alguns estudiosos, de uma única vez foram lançaram do alto do monte Pagos 1200 crentes; doutra feita, lançaram 800 crentes. Os crentes estavam morrendo por causa da sua fé.

Somos chamados a ser fiéis até às últimas consequências, mesmo em um contexto de hostilidade e perseguição. Hoje, Jesus espera de seu povo fidelidade na vida, no testemunho, na família, nos negócios, na fé. Não venda seu Senhor por dinheiro, como Judas; não troque seu Senhor, por um prato de lentilhas, como Esaú; não venda sua consciência por uma barra de ouro, como Acã. Seja fiel a Jesus, ainda que isso lhe custe seu namoro, seu emprego, seu sucesso, seu casamento, sua vida. Jesus diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (Mt.5:10-12). O mundo perseguiu a Jesus e também nos perseguirá.

2. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo mesmo enfrentando prisões impiedosas (Ap.2:10). Alguns crentes de Esmirna estavam enfrentando prisões tenebrosas. Naquela ocasião, a prisão era a antessala do túmulo; os romanos não cuidavam de seus prisioneiros. Normalmente os prisioneiros morriam de fome, de pestilências, ou de lepra.

Somos chamados a sermos fiéis não apenas até o último instante da vida, mas, sobretudo, até às ultimas consequências, mesmo num contexto de hostilidade e perseguição. O pastor da igreja de Esmirna, Policarpo, discípulo de João, foi martirizado em 155 d.C. Fiel até à morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira. Seus algozes pediram-lhe que dissesse: "César é Senhor", mas ele recusou a fazê-lo. Levado ao estádio, o procônsul instou com ele, dizendo: "Jura, maldiz a Cristo e te porei em liberdade”. Policarpo lhe respondeu: "Sirvo a Cristo há oitenta e seis anos, e ele nunca me fez mal, só o bem. Então como posso maldizer o meu Rei e Salvador?" [...]. Depois de ameaçá-lo com feras, o procônsul lhe disse: "Farei que sejas consumido pelo fogo". Mas Policarpo respondeu: "Tu me ameaças com fogo que queima por uma hora e depois de um pouco se apaga, mas tu és ignorante a respeito do fogo do juízo vindouro e do castigo eterno, reservado para os maus. Mas, por que te demoras? Faze logo o que queres [...J". Os inimigos furiosos, queimaram-no vivo em uma pira, enquanto ele orava e agradecia a Jesus o privilégio de morrer como mártir.

A promessa de Jesus é clara: "O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte" (Ap. 2:11). Podemos enfrentar a morte e até o martírio, mas escaparemos do inferno, que é a segunda morte, e entraremos no céu, que é a coroa da vida.

3. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo apesar da pobreza absoluta. A igreja de Esmirna era uma igreja pobre: pobre porque os crentes vinham das classes mais baixas; pobre porque muitos dos membros eram escravos; pobre porque seus bens eram tomados, saqueados; pobre porque os crentes eram perseguidos e até jogados nas prisões; pobre porque os crentes não se corrompiam. Esmirna era uma igreja espremida, sofrida, acuada; contudo, uma igreja fiel.

a) embora a igreja fosse pobre financeiramente, era rica dos recursos espirituais. Não tinha tesouros na terra, mas os tinha no céu. Era pobre diante dos homens, mas rica diante de Deus. A riqueza de uma igreja não está na pujança do seu templo, na beleza de seus móveis, na opulência do seu orçamento, na projeção social dos seus membros. A igreja de Laodicéia considerava-se rica, mas Jesus disse para ela que ela era pobre. A igreja de Filadélfia tinha pouca força, mas Jesus colocou diante dela uma porta aberta. A igreja de Esmirna era pobre, mas aos olhos de Cristo ela era rica.

b) Enquanto o mundo avalia os homens pelo ter, Jesus os avalia pelo ser. Importa ser rico para com Deus. Importa ajuntar tesouros no céu. Importa ser como Pedro: "Eu não tenho ouro e nem prata, mas o que eu tenho, isso te dou: em nome de Jesus, o Nazareno anda". A igreja de Esmirna era pobre, mas fiel; era pobre, mas rica diante de Deus; era pobre, mas possuía tudo e enriquecia a muitos. Nós podemos ser ricos para com Deus, ricos na fé, ricos em boas obras. Podemos desfrutar das insondáveis riquezas de Cristo. É melhor ser como a igreja de Esmirna, pobre materialmente e rica espiritualmente, do que como a igreja de Laodicéia, rica, mas pobre diante de Cristo.

Jesus nunca disse que se formos fiéis a Ele jamais teremos problemas, sofrimentos ou perseguições. Na verdade, devemos ser fiéis a Ele durante nossos sofrimentos. Somente assim nossa fé poderá se mostrar genuína. Permaneceremos fiéis se conservarmos nosso olhar em Cristo e naquilo que Ele nos promete para esse momento e para o futuro (ver Fp.3:13,14; 2Tm.4:8).

Que a igreja de Esmirna nos sirva de exemplo e referencial de fidelidade a Deus, coragem e determinação. [...] Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte (Ap. 2:10c-11).

CONCLUSÃO

À medida que buscamos ter maior comunhão com Deus, desenvolvemos a Fidelidade como Fruto do Espírito. A nossa confiança em Deus nos ajuda a permanecer fiéis em tudo até o Dia em que iremos nos encontrar com o Senhor (Ap.2:10). Que no final de nossa jornada, possamos dizer como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm.4:7).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Fidelidade, o fruto da confiança.PortalEBD_2005.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Ouça o que o Espírito diz às Igrejas.

FONTE:http://luloure.blogspot.com.br/

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ESCOLA BIBLICA DOMINICAL 2017 TERCEIRA AULA



Aula 03 - O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE

1º Trimestre/2017

Texto Base: Lucas 6:39- 49

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt.26:41)

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o perigo das obras da carne. Qual o maior perigo? A resposta está no final do versículo 21 do capítulo 5 de Gálatas: ”... os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”. Isto significa que aqueles que praticam as obras da carne não receberão o prêmio de um lar eterno com Deus. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e modificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo. A oração e a vigilância são armas fundamentais que o crente tem que usar na luta diária contra as obras da carne. Todos nós estamos sujeitos a cairmos em tentação, mas se nos esforçarmos e dermos lugar ao Espírito Santo em nossas vidas, e deixar que Ele nos controle plenamente, dificilmente as obras da carne terão chance de se sobressair.

I. A VIDA CONDUZIDA PELA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE

Nos é dito em Tiago 1:15, que a concupiscência ou os desejos ilícitos produzem o pecado. De acordo com 1João 2:15,16 todos os desejos pecaminosos são classificados em três categorias. Enquanto Eva estava diante da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela se deparou com estas três tentações: a concupiscência da carne - "a árvore boa para comer"; a concupiscência dos olhos - "a árvore agradável aos olhos"; a soberba da vida - "a árvore desejável para dar entendimento".

1. A Concupiscência da Carne. A concupiscência da carne simboliza a vida dominada pelos desejos, com pouco respeito por nós mesmos e por outras pessoas, a ponto de usá-las como coisas. Refere-se a qualquer desejo que incita alguém a alimentar a natureza sensual da carne (imoralidade, embriaguez, glutonaria, etc.). O fruto deu "água na boca" de Eva, mesmo sendo ele um fruto proibido. Nossos desejos e vontades devem ser controlados pelo Espírito Santo, pois os desejos da velha natureza são impuros e nos conduzem à morte espiritual.

2. A vida guiada pela Concupiscência da Carne. A “Carne” é a nossa natureza caída. São os impulsos e os desejos que gritam para serem satisfeitos. Segundo Augustus Nicodemus, “a ‘carne’ refere-se aos desejos impuros, que incluem todos os pensamentos, palavras e ações não puros: fornicação, adultério, estupro, incesto, sodomia e demais desejos não naturais, quer à intemperança no comer e no beber, motins, arruaças e farras, bem como todos os prazeres sensuais da vida, que gratificam a mente carnal e pelos quais a alma é destruída e o corpo, desonrado”.

Vivemos em uma sociedade hedonista, onde a busca pelo prazer tem feito com que muitos sejam dominados por desejos malignos, praticando, sem qualquer pudor, toda a sorte de impureza, e tudo em nome do prazer e da liberdade. Portanto, uma vida guiada pela concupiscência da carne é uma vida separada de Deus, cujo fim, se permanecer assim, será a perdição eterna.

3. A vida conduzida pela Concupiscência dos Olhos. A concupiscência dos olhos são as tentações que nos atacam de fora para dentro. É a tendência a deixar-se cativar pela exibição externa das coisas, sem investigar os seus valores reais. Refere-se à cobiça ou desejo descontrolado por coisas atraentes aos olhos, mas proibidas por Deus, inclusive o desejo de olhar para o que dá prazer pecaminoso. Os olhos são a lâmpada do corpo e as janelas da alma. Por eles entram os desejos.

Eva caiu porque viu o fruto proibido. Ló viu as campinas do Jordão e foi armando suas tendas para as bandas de Sodoma. Siquém viu Diná e a seduziu. A mulher de Potifar viu José e tentou deitar-se com ele. Acã viu a capa babilônica e arruinou-se. Davi viu Bate-Seba e adulterou com ela e a espada não se apartou da sua casa.

Cuidado com os seus olhos! Se eles o fazem tropeçar, arranque-os, porque é melhor você entrar no Céu caolho do que todo o seu corpo ser lançado no inferno (Mt.5:29).

Nesta era pós-moderna, a concupiscência dos olhos inclui o desejo de divertir-se contemplando pornografia, violência, impiedade e imoralidade no teatro, na televisão, na internet (principalmente), no cinema, ou em periódicos. Longe de Deus e sem o controle do Espírito Santo, o homem manifesta seus desejos mais perversos, trazendo sérios prejuízos para os relacionamentos. Quando o homem se torna insensível à voz de Deus e ao Espírito Santo, sendo governado apenas por seus instintos, torna-se semelhante aos animais. Lucas 11:34 diz: “A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso”.

O crente não pode se deixar seduzir pelos prazeres deste mundo (1João 2:15-17). Uma vida conduzida pela concupiscência dos olhos é uma vida sem o domínio do Espírito Santo, logo uma vida que corre grande perigo de perder a Salvação, a vida eterna com Deus.

II. A DEGRADAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO

O homem sem Deus, dotado de uma natureza pecaminosa, outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer aos desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cf. 2Tm.3:2), que levam a um caráter altamente reprovável, despido de auto-direcionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2), de cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1) e de auto-transcendência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29). Portanto, o cristão que se engoda nas obras da carne e não se esforça para sair delas, desmoraliza o seu caráter.

1. O Caráter. O caráter é elemento da personalidade do ser humano que não é inato e pode ser mudado. Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua existência.

2. O Caráter moldado pelo Espírito. Um caráter moldado pelo Espírito Santo é a maior necessidade de um cristão, hoje. As pessoas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Afirmou John Wooden: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“. Portanto, o caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências.

Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando. Nossa reputação, por outro lado, diz respeito à nossa conduta como é vista ou percebida por outros. “Boa” conduta sem caráter se torna hipocrisia. Isto foi revelado à igreja em Sardes: “Ao anjo da Igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto!” (Ap.3:1). Não adianta apenas dizer que é crente, é preciso evidenciar o nosso caráter cristão mediante as nossas ações (Mt.5:16).

Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o Templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl.137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé inquebrável no Deus vivo.

Concordo com o Pr. Osiel Gomes, quando diz que “muitos se dizem crentes, mas suas ações demonstram que nunca tiveram um encontro real com o Salvador. Muitos estão na igreja, mas ainda não foram realmente transformados por Jesus, pois quem está em Cristo é uma nova criatura e como tal procura andar em novidade de vida, pois já se despiu do velho homem, da natureza adâmica (2Co.5:17). Crentes que vivem causando escândalos, divisões, rebeldias, jamais experimentaram o novo nascimento”.

3. Ataques ao seu Caráter. Na nossa jornada temos que lutar contra três inimigos que farão de tudo para macular o nosso caráter: a carne, o Diabo e o mundo. Para enfrentar e vencer esses inimigos é necessário ter uma vida de comunhão com o Pai. É necessário orar, ler e estudar a Palavra de Deus. Sem a leitura da Bíblia e a oração não conseguiremos vencer a concupiscência da carne.

O caráter de Daniel e de seus amigos, na Babilônia, foi atacado. O caráter deles foi colocado à prova diante da determinação do rei Nabucodonosor. Veja o que diz Daniel 1:5-8: “E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego. E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”. Aqui, mostra que o maior de todos os perigos era o risco da aculturação. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de dois perigos:

a) O perigo das iguarias do mundo. As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso, a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: Bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus? Azarias significa: Jeová ajuda; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: servo de Nego. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.

III. UMA VIDA QUE NÃO AGRADA A DEUS

“O propósito do cristão deve ser viver uma vida que agrada a Deus, caso contrário, não tem valor algum professar a fé cristã”.

1. Viver segundo a carne. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”(Rm.8:8). Os que estão na carne não podem agradar a Deus, porque a única maneira de agradá-lo é submeter-se e obedecer à sua Lei, à Sua Palavra, à Sua vontade. As obras da carne e o Fruto do Espirito são mutualmente exclusivos. Quem pratica as obras da carne jamais produzirão Fruto do Espirito, pois quem pratica as obras da carne não está ligado à videira, que é Cristo. Portanto, é impossível obedecer à carne e ao Espírito ao mesmo tempo (Rm.8:7,8; Gl.5:17,18). Se alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne (Rm.8:13), torna-se inimigo de Deus (Rm.8:7; Tg.4:4), e a morte espiritual e eterna o aguarda (Rm.8:13).

Portanto, quais são os nossos objetivos na vida? Quais têm sido as nossas intenções?
Por que e para que estamos a praticar estes ou aqueles atos? Isto nos mostra se andamos segundo a carne ou segundo o Espírito. O justificado pela fé em Cristo Jesus age sempre por motivos e propósitos que estão de acordo com a vontade de Deus, que nos mantêm separados do pecado e que, por isso, não nos impede de prosseguir na nossa comunhão com o Senhor.

O apóstolo Paulo é contundente quando diz que a “inclinação da carne” é inimizade contra Deus e os que são segundo a carne não podem agradar a Deus (Rm.8:7,8). Temos aqui uma contundente declaração das Escrituras que desmente todo e qualquer movimento de tolerância e convivência com o pecado, movimentos estes que, lamentavelmente, estão presentes e em número cada vez maior no meio do segmento dito evangélico. Quantos não estão a dizer que “Deus só quer o coração”? Quantos não têm procurado se basear em “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (cf. 2Tm.4:3) para justificar as suas condutas pecaminosas e a prática da iniquidade? Os dias de hoje são difíceis e não são poucos os que têm se esforçado em encontrar guarida para as suas “inclinações da carne”, mas o Senhor, na Sua Palavra, é bem claro, é claríssimo: “os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm.8:8).

2. Vivendo como espinheiro. Os ramos que não produzem frutos são arrancados (João 15:2). O propósito do ramo é dar fruto. Se o ramo não dá fruto, não tem valor para o lavrador, por isso ele o tira. Exemplo triste deste tipo de julgamento é encontrado na história da nação israelita. Deus Pai, o Lavrador, no passado plantou uma vinha – “ E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre e também constituiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas...a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel...”(Is.5:2-7).

Deus não apenas plantou, como também dotou-a de todas as condições para que nela houvesse colheitas abundantes das melhores uvas da terra. Porém, Israel falhou! Produziu uvas bravas! A vinha foi rejeitada - “A gora, pois, vos farei saber o que hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada, nem cevada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuvas sobre ela” (Is.5:5,6). Israel pagou e continua pagando o preço de sua desobediência.

A Igreja, hoje, é nova Vinha do Senhor. Como Igreja ela não será rejeitada. Porém, cada crente, em particular, é advertido sobre a necessidade de produzir frutos, e frutos bons – “todo ramo em mim que não dá fruto, a tira... Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto...”.

Quem vive segundo a carne se torna um espinheiro, inútil para Deus e para a Igreja. Israel foi rejeitado porque não deu os frutos que Deus esperava de sua vinha. Israel tornou-se um espinheiro. Certamente que o Espírito Santo não deseja que aconteça o mesmo conosco.

3. Uma vida infrutífera. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se produza o Fruto do Espírito. Cristo é a Videira e Deus é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora (João 15:6).

Na Parábola da Figueira estéril, o Senhor Jesus disse que “...um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará; e, se não, depois a mandarás cortar” (Lc.13:6-9).

Embora a figueira estivesse na vinha, ela não tinha outro propósito a não ser dar fruto. Visto que a figueira era infrutífera, não teria o direito de existir. É fruto que o dono da vinha procura. Não folhas. As folhas dão beleza à árvore, mas, não alimentam. Quem tem fome, precisa de fruto.

Certa feita, a caminho de Jerusalém, Jesus teve fome – “E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente” (Mt.21:18,19). Era uma árvore bonita, tinha aparência, pois, estava carregada de folhas. Porém, foi amaldiçoada porque não tinha fruto. Não basta ter aparência, é preciso ter fruto. Através de uma vida frutífera glorificamos a Deus e testificamos que somos discípulos de Jesus – “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Mt.7:8).

Dar muito fruto deve ser o ideal bíblico desejado por todos os salvos. Isto é possível, pois, somos como “...a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará” (Sl.1:3). Estar em Cristo é a condição. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muitos frutos. Porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Não basta estar perto de Cristo, e muito menos longe. Faz-se necessário estar ligado a Ele, ser parte do seu próprio Corpo, para que possa receber da sua seiva (Espírito Santo) e assim dar muitos frutos.

CONCLUSÃO

A Carne é mais que sensualidade, é mais que luxúria sensual, é o homem vivendo no nível terreno e material, separado de qualquer contato com o espiritual ou o sobrenatural. Os que são dominados pela Carne buscam agradar a Carne e praticar suas obras (Gl.5:19-21). O resultado óbvio é que os que estão na Carne não podem agradar a Deus, serão excluídos da Videira e, por conseguinte, cortados e lançados para serem queimados, ou seja, excluídos para sempre da presença de Deus.

Que Deus possa nos abençoar e que saibamos, precisamente, viver em santidade, sendo Árvore frutífera para Deus até o instante da nossa glorificação.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Fruto do Espírito Santo e o caráter cristão. PortalEBD_2005.
Postado por Luciano de Paula Lourenço às 13:03

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/ 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

EBD QUARTO TRIMESTRE


Aula 09 - O MILAGRE ESTÁ EM SUA CASA

4º Trimestre/2016

 Texto Base: 2Reis 4:1-7

“Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses [...], que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e veste”(Dt.10:17,18).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos acerca do milagre que Deus operou por intermédio do profeta Eliseu para salvar uma viúva e seus dois filhos de uma crise financeira. Essa história, relatada em 2Reis 4:1-7, é muito conhecida no meio cristão tradicional e é um exemplo importantíssimo de como a provisão de Deus funciona no nosso lar. Esse milagre nos ensina que o pouco com Deus torna-se muito e a escassez pode converter-se em abundância. O Deus de Elizeu é também o nosso Deus. Ele é imutável - “Porque eu, o Senhor, não mudo...”(Ml.1:17); “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje e eternamente”(Hb.13:8) -, e mediante sua graça continua a alcançar os corações daqueles que estão desesperados por um milagre em sua casa.

I. UMA FAMÍLIA EM DIFICULDADES

1. A crise das dívidas. Não sabemos o nome da viúva nem dos seus filhos, mas sabemos que ela era esposa de um discípulo de Eliseu. De acordo com o historiador Flavo Josefo, “a viúva desta história era a esposa de Obadias, o mordomo de Acabe em 1Reis 18:3. O motivo de a família estar endividada era que Obadias havia sustentado os 100 profetas do Senhor que ele escondera de Acabe e Jezabel” (cf. 1Rs.18:4). Naquela época, e até mesmo à época de Jesus, as viúvas eram sustentadas pelos filhos. Tudo indica que os dois filhos dessa viúva ainda eram crianças. Como herança, o aprendiz de profeta deixou-lhe dois filhos para criar e uma dívida para saldar. Não havia pensão, não havia seguro de vida e não havia ninguém por ela. Por isso, não tardou surgirem os “abutres do lucro fácil”, ávidos por confiscar os seus filhos.

2. O risco de perder os filhos. Achando-se incapaz de saldar a dívida deixada pelo seu marido, a viúva enfrentou a possibilidade de o credor tomar seus dois filhos para um período de escravidão. Os credores queriam logo recuperar seu dinheiro. Então, a viúva deve ter-lhes dito: “Sinto muito, senhores, eu não tenho recursos para pagar a dívida que o meu marido contraiu”. Ao que eles, talvez, responderam: “Muito bem, senhora, como não dispõe do valor necessário para quitar a dívida, de acordo com a lei, podemos levar seus dois filhos como pagamento. Eles serão nossos escravos, para compensar a dívida que seu a marido não saldou”. O texto em Levítico 25:39,40 determina que se o devedor não pudesse pagar a sua dívida, ele era obrigado a servir ao credor como escravo até o ano do jubileu. Deus, porém, interveio e concedeu àquela viúva a provisão suficiente para atender à sua urgente necessidade e de seus dois filhos.

Aquela era uma época terrível! Eram dias de plena apostasia, em que o temor de Deus havia desaparecido; cada um fazia o que queria, ignorando por completo a lei de Deus. Os contemporâneos de Eliseu abusavam das crianças necessitadas, tolhendo-lhes o direito, o respeito e a dignidade.

E os nossos contemporâneos, não têm feito o mesmo? Nossas crianças têm sido comercializadas; sua inocência tem dado lucro a muita gente; seu corpo angelical tornou-se um objeto de desejo; suas mãos delicadas se transformaram em “mão-de-obra barata”; a formação do caráter e personalidade de milhares de crianças inocentes e indefesas tem sido colocada à mercê de casais homossexuais, com educação moral e espiritual totalmente desviada do padrão judaico-cristão. Não podemos nos calar, nem fingir que tudo isso não acontece.

3. A viuvez. Dentro dos dramas sociais que o cristão pode se deparar está a viuvez. É um fato comum em nossa sociedade, caracterizado pela perda do companheiro de vida, que abarca milhares de pessoas. Faz parte do processo natural da existência do ser humano, por isso deve-se estar preparado para este estado aflitivo da vida. Quando o cônjuge perde a sua companheira (ou companheiro) significa um rompimento do ciclo de um convívio íntimo, intenso e profundo; a pessoa viúva enfrentará a solidão e a saudade do cônjuge que se foi. Algumas pessoas suportam com resignação esta lacuna da vida, mas outras se definham diante da amargura que lhe envolve, resultando em insegurança existencial que paralisam a sua sociabilidade e espiritualidade.

A palavra viuvez deriva da forma latina “vidua”, que significa “ser privado de algo”. É uma situação de desconsolo por desamparo. É um fato dramático, que atinge não só o psiquê e a saúde dos indivíduos, mas também suas relações sociais, tanto dentro da família quanto na sua comunidade. A condição de viuvez pode fazer com que as pessoas após anos de convivência, enfrentem um momento de solidão, processo profundamente sofrido, não só pela perda do marido ou esposa, mas pelas dificuldades em administrar a casa e os filhos na falta do chefe da família.

No Antigo Testamento, a viúva era personagem marginalizada, especialmente se não tinha filhos crescidos para cuidar dela ou algum familiar que se tornasse o remidor, casando-se com ela. Era facilmente vitimada e tinha limitados recursos materiais e financeiros (vide Sl.94:6). Mas, Deus sempre teve uma atenção especial à viuvez, quer no Antigo quer no Novo Testamento. As recomendações foram claras e imperativas ao povo de Israel. Cito algumas:

 “Quando no teu campo colheres a tua colheita, e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-lo; para [...] a viúva será; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos”(Dt.24:19);

“Quando sacudires a tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; ...para a viúva será”(Dt.24:20);

“Quando vindimares a tua vinha, não voltarás para a rebuscá-la; ...para a viúva será o restante”(Dt.24:21);

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem”(Dt.26:12);

“A nenhuma viúva ... afligireis”(Ex.22:22).

“Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas”(1Tm.5:16).

A bondade demonstrada às viúvas era louvada como um dos sinais da verdadeira religião. Diz o profeta Isaías: “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is.1:17). Diz também Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas Tribulações...” (Tg.1:27).

Quando esta fase da vida chega na vida de um irmão ou irmã, a Igreja e a família devem estar prontas para dar-lhe total apoio, consolo e carinho, bem como acudi-la(o) no aspecto estrutural necessário à sua convivência social e firmeza espiritual.

É bom ressaltar que a opressão e a injúria contra as viúvas fazem o faltoso incorrer em horrenda punição – “E chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os que [...] pervertem o direito da viúva [...] (Ml.3:5).

No caso da viúva em epígrafe, a dívida contraída por seu marido deveria ser paga com a venda de seus filhos. Em meio a esta situação tenebrosa, a mulher lembrou-se do homem de Deus. Talvez Eliseu tivesse conhecido aquela família nos tempos de bonança.

Deus não desampara as viúvas e os órfãos. Deus é o socorro do Seu povo na hora da angústia. O salmista assim se expressou: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Salmo 46:1). O socorro divino nem sempre se manifesta em forma de milagre, de algo sobrenatural; pode ser de forma muito simples e nem ser notada. Geralmente o socorro de Deus vem pela ação de algum dos Seus servos que Ele usa para a glória do nome dEle; muitas vezes vem como resposta à oração. É o Pai respondendo ao clamor de seus filhos.

II. DEUS REALIZA MILAGRES

1. A fé do profeta. O milagre é uma forma perceptível de demonstração de que a fé é o meio pelo qual alguém obtém os benefícios da parte de Deus. Os 14(quatorze) milagres operados pelo profeta Eliseu evidenciam a fé dele e o cuidado de Deus para com todos aqueles que creem nEle. Foram uma clara demonstração do poder de Deus, que teve como propósito específico demonstrar a graça de Deus e sua glória nas mais diferentes situações. Em nenhum momento Eliseu ensoberbeceu-se do dom que havia nele, e nem deixou transparecer que se tratava de algo que ele conseguia manipular através do domínio de alguma técnica ludibriante.

Os milagres operados objetivam a glorificar a Deus. A maioria deles é uma resposta de Deus ao sofrimento do ser humano, todavia, não se concentra no ser humano, mas em Deus. Diferentemente do que acontece hoje em muitos segmentos cristãos, principalmente aqueles que se expõem na mídia, os profetas do Antigo Testamento bem como os discípulos de Cristo nunca buscaram chamar a atenção para si através dos milagres que realizavam nem tirar proveitos deles. No Novo Testamento, os milagres estão diretamente ligados com a obra salvífica de Cristo e tem a função de confirmar a palavra que é pregada pelos mensageiros do Senhor.

O milagre não tem por objetivo criar um espetáculo. Observe que os milagres não davam testemunho dos apóstolos e sim do Senhor Jesus e da sua mensagem. Somente os que buscam a própria glória transformam os milagres em um show (é o que estamos vendo hoje em muitas igrejas). Para esses, Jesus tem um recado: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”(Mt.7:22,23).

O crente deve ter cuidado com a supervalorização dos milagres. Conquanto Deus realize sinais e maravilhas através do seu povo santo, os mesmos não devem nortear a vida do crente. Sinais e maravilhas são feitos pelo Senhor, que utiliza a instrumentalidade humana para esse fim, mas isso não significa que eles são o indicativo para a orientação de Deus às nossas vidas. Há pessoas que se colocam como reféns de milagres, como se estes fossem o marco regulatório para a vida cristã, e não tomam nenhuma postura ou atitude na vida se não virem milagres à sua volta. Tais pessoas precisam aprender a crer que os milagres são parte do Evangelho, mas que a Palavra de Deus é que deve nortear a vida do crente. Os sinais seguem aqueles que seguem a Palavra de Deus, e não os que creem seguem os milagres.

2. A viúva procurou Eliseu. Não tendo a quem mais recorrer, a pobre viúva apelou ao profeta Eliseu, apesar de saber que este também não possuía recursos financeiros. Confiava que ele encontraria em Deus uma saída para a crise. Ela sabia que o profeta Eliseu era um homem de Deus, por isso recorreu a ele (2Rs.4:1). As Escrituras Sagradas mostram que o Senhor socorre o necessitado:

“Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia...” (Is.25:4);

“Porque o Senhor ouve os necessitados…”(Sl.69:33);

“Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado da mão dos malfeitores” (Jr.20:13);

“Eu sou pobre necessitado; mas o Senhor cuida de mim; tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus” (Sl.40:17).

Diante do clamor daquela viúva (2Rs.4:1), Eliseu ficou sensibilizado e não hesitou em atendê-la. Como homem de Deus, ele sabia que o Senhor poderia reverter a situação financeira daquela viúva. Ele não quis saber quem era o responsável pela dívida, mas decidiu ajudar uma pessoa necessitada. Tal como Elias fizera em Sarepta (1Reis 17), usou do pouco que ela tinha para resolver o problema. Deus compadeceu-se daquela mulher sofredora e interveio na sua causa. O Senhor é compassivo, misericordioso e longânime – “Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem misericórdia” (Sl.116:5); “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22).

Aquela mulher procurou um servo de Deus e apresentou seu problema, pedindo socorro. Nosso comportamento deve ser o mesmo hoje. Quando enfrentamos dificuldades, devemos clamar a Deus pedindo Sua ajuda. Ele designará um cristão que o ama e obedece a Ele para nos socorrer. Deus está sempre à nossa espera para atender e satisfazer todas as nossas verdadeiras necessidades. Por isso nós, servos de Deus, podemos ser usados da mesma maneira que o Senhor usou Eliseu, com o objetivo de auxiliar alguém que esteja passando necessidades. Há grande suprimento para toda necessidade quando Deus intervém. Coloque tudo o que tem nas mãos de Deus e, ainda que seja pouco, se fará mais que suficiente.

3. Deus utiliza aquilo que temos. Diante do clamor da viúva, o profeta Eliseu perguntou-lhe: “Que te hei de eu fazer? Declara-me que é o que tens em casa. E ela disse: tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite” (2Rs.4:2). É uma resposta bastante desanimada. Às vezes acontece conosco também, quando estamos diante das crises que se agigantam de forma tenebrosa e nos deixa combalidos. Ora, se para Deus o nada já é muita coisa, quanto mais uma botija de azeite. A provisão milagrosa lhe veio mediante o que ela já tinha: um vaso de azeite. A provisão foi dada na medida da fé que a mulher tinha e da sua capacidade de armazenamento. Deus usou o que ela possuía para multiplicar-lhe os recursos e realizar o milagre de que ela precisava. Para Deus operar um milagre a quantidade não faz nenhuma diferença. Vejamos:

·     Moisés – tinha uma vara: “… e os filhos de Israel passaram pelo meio do mar em seco…” (Êx.14:16,21,22).

·     Sansão – tinha uma queixada de um jumento: “… e feriu com ela mil homens” (Jz.15:15).

·     Davi – tinha uma funda e cinco pedras: “E assim… prevaleceu contra o gigante filisteu…” (1Sm.17:40,50).

·     A viúva de Sarepta – tinha farinha na panela e azeite na botija: “… e assim comeu ela… e a sua casa muitos dias” (1Rs.17:12,14,15).

·     Elias – tinha uma capa: “… e passaram ambos (Elias e Eliseu) o rio Jordão em seco” (2Rs.2:8).

·     Os discípulos – tinham cinco pães e dois peixinhos: “… e deram de comer a quase cinco mil homens” (Mc.6:37-44).

·     O apóstolo Pedro – tinha unção e poder e disse ao paralítico: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta e anda” (At.3:6).

·     O apóstolo Pedro tinha uma rede de pesca e viu o milagre de Deus, depois de uma noite sem pegar nada – “E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede” (Lc.5:6).

·     A mulher do profeta – tinha apenas uma botija de azeite. E foi a partir desta botija de azeite que Deus operou o milagre: “E sucedeu que, todos os vasos foram cheios…” (2Rs.4:2,6,7). É a partir de "uma botija de azeite" que Deus torna tudo abundante, porque Ele é o Deus de toda provisão.

III. PROVISÃO NA MEDIDA CERTA

1. Preparação para receber o milagre. Eliseu havia compreendido o que Deus podia fazer usando um simples vaso com azeite, a princípio insignificante, e então disse à mulher e a seus filhos para pedir emprestado aos vizinhos a maior quantidade de frascos vazios que pudessem (cf. 2Rs.4:3-5). A mulher precisaria de muitas vasilhas, pois a multiplicação do azeite, que haveria em sua casa, seria sem medida, abundante. Ela precisava se preparar para receber tal bênção. O azeite era uma mercadoria muito apreciada em Israel, servindo como alimento, medicamento, cosmético, combustível e para fins religiosos. Aquela mulher demonstrou o seu calor por meio da fé e por meio de um especial empenho para vender rapidamente o produto e saldar sua dívida.

Muitas vezes, nos sentimos como aquela viúva quando percebemos que o que nos resta parece algo absolutamente insignificante, de modo que nem cogitamos que aquilo possa ser usado por Deus a nosso favor. Contudo, essa história nos mostra que Deus tem poder para transformar em muito aquilo que nos parece pouco.

Creia que o dia do seu milagre chegará, assim como chegou para essa viúva. Só precisamos manter o que aquela viúva mantinha: temor a Deus (2Rs.4:1). Aos seus servos o Senhor Deus não nega bem nenhum. No tempo apropriado a provisão divina chegará. Está escrito: “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor bem nenhum faltará”(Sl.34:10).

2. Provisão abundante. A viúva recebeu mais do que precisava - “... E sucedeu que, cheios que foram os vasos, disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso. Porém ele lhe disse: Não há mais vaso nenhum. Então, o azeite parou “(2Rs.4:6). A viúva recebeu do Senhor mais do que pedira. Seu pedido fora apenas que seus filhos ficassem livres de viver na escravidão, mas em sua pobreza ela ainda tinha muitas outras necessidades. Deus Se dispôs a suprir essas necessidades. Ele constantemente dá aos seres humanos bênçãos muito maiores do que eles pedem para si mesmos.

O milagre, portanto, depende do que se têm. O que é que você tem em casa? Diante da pergunta, você poderia responder: “Não tenho nada”. Não seja tão pessimista para enxergar o quão é suficiente para Deus para fazer um grande milagre através daquilo que você considera não ser nada. Um martelo é suficiente para transformar você num homem de grandes negócios. Deus irá operar o milagre em sua vida a partir do que você tem. Se nada oferecemos a Deus, Ele nada terá para usar. Mas Ele pode usar o pouco que temos e transformá-lo em muito. “Sem fé é impossível agradar a Deus”.

Nós podemos nem ter tudo, e, contudo, podemos ter conosco alguma coisa que Deus é capaz de abençoar abundantemente - “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef.3:20).

Não perca a esperança! O pouco pode ser transformado em muito se for colocado nas mãos do Senhor e por Ele abençoado. A viúva tinha somente uma botija de azeite e a lição que aprendemos é que Deus abençoa aquilo que temos. Sua medida é sempre além, sacudida, recalcada e transbordante (Lc.6:38).

3. Fé em ação. A viúva e seus dois filhos precisavam seguir as orientações do profeta. A orientação do profeta Eliseu foi simples e objetiva:

a) “...pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos”. Às vezes temos que fazer algo que esteja ao nosso alcance para receber o que Deus nos quer dar.

b)  “...fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos...”. A mulher devia fechar a porta, ficar a sós com seus filhos e trabalhar. Nem sempre as bênçãos de Deus acontecem no meio de muita gente. Neste sentido, Jesus orientou assim: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará” (Mt.6:6).

“...fecha a porta” (2Rs.4:4). O que se percebe nesta expressão é que o homem de Deus, Eliseu, não buscou notoriedade no milagre. Ele tinha plena certeza que Deus era quem estava operando aquele grande milagre. Então a glória pertencia a Deus e não ao profeta. É possível que uma das causas da escassez de milagres hoje esteja na publicidade desenfreada. Deus quer privacidade, mas os homens gostam de notoriedade. Gostam de aparecer e vangloriar-se (leia Lc.12:15). Deixam a porta aberta para serem vistos!

c) “... e eles lhe traziam os vasos, e ela os enchia”. A mulher foi ajudada por seus filhos. A participação de nossos filhos na obra de Deus é uma bênção!

d) “...vivei do resto”(2Rs.4:7). A viúva e seus filhos olharam para todos os vasos cheios do azeite oriundo de sua pequena botija e o fez saber ao homem de Deus. E Eliseu disse para ela vender o azeite e pagar a dívida deixada por seu marido. Com o dinheiro que sobrasse, ela e seus filhos, poderiam viver por muito tempo. O milagre da multiplicação do azeite, além de resolver o problema da dívida deixada pelo marido, proveu o sustento dela e dos filhos por muito tempo. Às vezes Deus quer dar bênçãos duradouras e a pessoa quer apenas as temporárias. Salvação é bênção duradoura; cura de alguma enfermidade é temporária.

Portanto, precisamos agir com fé, pois a fé sem obras, sem atitudes, sem ação, é morta. A mulher pegou as vasilhas e começou a enchê-las a partir da botija de azeite que ela tinha em sua casa. Ela foi quem encheu as vasilhas e não o profeta. Este somente deu a orientação. Da mesma forma, Deus nos orienta, conforme as nossas forças e os nossos recursos, a agirmos e buscarmos a solução para os nossos problemas. Mas, nós é que devemos que correr atrás, que buscar, que agir.

A fé que aquela mulher tinha no Senhor tornou possível que ela saísse daquela situação crítica; permitiu que ela apresentasse seu problema a Deus e confiasse nele para orientá-la no sentido de encontrar a solução. Deus também deseja que você creia e busque em Sua Palavra a orientação sobre o que esperar dele e sobre como agir com sabedoria nos momentos de escassez.

Prezado irmão e amigo, você está aguardando no Senhor algum milagre em sua casa, em sua vida? Você tem passado por provações na vida semelhante às desta viúva? Você é temente a Deus como essa viúva? Você tem buscado em Deus a solução de seus problemas ou apenas tem comentado com os outros o que você está passando? Faça como a viúva em comento: seja obediente aos mandamentos de Deus, tenha fé e aja com ousadia e determinação.

CONCLUSÃO

Muitos são os fatores que podem levar uma família a passar escassez: a morte do provedor ou o descaso deste para com os seus dependentes; desemprego, doenças, etc. É bom saber que estes fatores podem acontecer tanto para os que amam e temem ao Senhor quanto para os que não o temem. Temos que avaliar as causas disso. Muitas vezes a escassez advém de desequilíbrio na família, no tocante ao consumismo. O mal de muitos é não saber distribuir, é não ter método no gastar. Se tem muito, gastam tudo; quando não tem bastante, tomam emprestado. Por isso a vida financeira de muitos que se dizem cristãos é uma pedra de tropeço diante dos incrédulos. Sejamos cuidadosos na maneira de gastar o nosso dinheiro, busquemos a direção do Senhor de nossas vidas, para que ele nos ensine a usar o pouco que nos foi entregue. Economize comprando no estabelecimento que é mais em conta. Racionalize os gastos com água, luz, telefone, etc. (ler Gn.41:35,36; Pv.21:20). Fuja das dívidas! Evite o desperdício e o supérfluo. Gaste somente o necessário, dentro da sua capacidade financeira! Liberte-se do consumo irresponsável! Viva dentro do orçamento cabível e, se for possível, reserve um pouco para imprevistos, que sempre aparecem.

“O Senhor é meu Pastor; de nada terei falta” (Sl 23:1,NVI). Deus, o Pastor do Salmo 23, é Aquele que detém todas as coisas em Suas mãos, e faz com que nada falte aos Seus. Restaura a saúde, proporciona tranquilidade, segurança, proteção, prosperidade e fartura. Sua bondade e fidelidade acompanham seus filhos por toda a vida. Creia nisso!

Assim como aquela viúva que pediu ajuda ao profeta Eliseu, temos uma dívida que não podemos pagar, que herdamos de Adão e na qual incorremos todos os dias: o pecado. E o pagamento dessa dívida implicaria a morte espiritual e eterna, se não fosse o sacrifício de Cristo Jesus em nosso lugar. Jesus pagou a nossa dívida com Sua própria vida. O apóstolo Paulo com muita propriedade escreveu: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl.2:14). Portanto, no momento em que alguém aceita Jesus, com sinceridade, é salvo, e suas reais necessidades (de perdão, paz, amor, salvação, vida eterna, etc.) são supridas.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro homens, um destino.

Pr. Elienai Cabral. O Deus da Provisão, Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio ás crises. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Rute, uma perfeita história de amor.

Comentário Bíblico Beacon, v.2 – CPAD.

Porção Dobrada – Pr. José Gonçalves – CPAD.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

terça-feira, 8 de novembro de 2016


Aula 07 - JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS

4º Trimestre/2016

Texto Base: Gênesis 37:1-11

"E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero [...]" (Gn.39:2).



INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos a história do patriarca José, neto de Abraão. José foi um homem de fé, piedoso e temente a Deus. Ele é o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição e; salvador de seu povo.

Por um período de treze anos – dos dezessete até os trinta anos de idade – José passou por diversas crises e provações, mas diz a Bíblia que “o Senhor estava com José” (Gn.39:2; Atos 7:9). Ele foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos; vendido com escravo; exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”.

José é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo sem Deus e sem salvação. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independente da idade e das circunstâncias que o envolvam. José foi fiel na adversidade e na prosperidade.

Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante à de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Deus está conosco no vale da dor, está conosco no leito da enfermidade, está conosco nas agruras, nas intempéries, nas vicissitudes, nas tempestades da vida. As provas pelas quais passamos são trabalhadas por Deus para nosso bem final. Nosso Deus ainda continua transformando vales em mananciais, desertos em pomares, noites escuras em manhãs cheias de luz, vidas esmagadas pelo sofrimento em troféus de sua generosa graça.

I. DEUS ESTÁ CONOSCO NO PERÍODO DE CRISE

“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).

Deus não nos livra dos problemas, mas está conosco em meio aos problemas. Muitos foram os problemas que José enfrentou, mas ele os enfrentou com resiliência. Destaco, a seguir, algumas crises mais doridas que José enfrentou.

1. José enfrentou a inveja destrutiva dos seus irmãos. Segundo teóricos da psicologia, “existem dois tipos de inveja: a inveja construtiva e criativa, e a inveja destrutiva. A inveja pode ser construtiva quando ela estimula o invejoso a se desenvolver individual e culturalmente. Quando se conhece alguém e se inveja seus atributos e qualidades, a inveja construtiva parte para obter também tais qualidades. Contudo, a inveja destrutiva não somente incapacita o invejoso de se humanizar e crescer, como quer destruir o objeto de sua inveja, por não querer pagar o preço de se superar”.

José foi vítima de inveja destrutiva dos seus irmãos. Eles o desprezaram e o fizeram sofrer muito. José era um jovem sonhador, mas os seus sonhos foram o pesadelo de seus irmãos; geraram inveja no coração de seus irmãos (Gn.37:11), e eles já não falavam mais pacificamente com ele (Gn.37:4).

José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn.49:22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn.49:27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn.35:22; 49:4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn.34:25-29; 49:5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn.37:11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn.37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn.37:18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado por aqueles que deveriam protegê-lo. Por ser amado do pai e viver uma vida íntegra, seus irmãos passaram a ter inveja dele - “Seus irmãos, pois, o invejavam” (Gn.37:3,11).

A inveja é um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Segundo o Dicionário Aurélio, a inveja é "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem", ou o "desejo violento de possuir bem alheio". É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gálatas 5:19-21. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído; basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja, e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo.

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. O invejoso nunca é feliz, porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. O invejoso nunca é grato, porque está sempre querendo o que é do outro. O invejoso nunca tem paz, porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja: “uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. A serpente respondeu: ‘porque não suporto vê-lo brilhar’”.

Uma pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade. Os irmãos de José foram dominados por este maligno sentimento e o prejudicaram. “[...], mas Deus era com ele” (Atos 7:9).

2. José enfrentou a dor do abandono. José perdeu, de um momento para outro, toda a posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn.37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Foi abandonado por aqueles que mais deviam amá-lo. José foi jogado no fundo de um poço pelos seus irmãos e taparam os ouvidos ao clamor de José (Gn.42:21). Seus irmãos o abandonaram e o mataram no coração (Gn.37:20-22). “[...], mas Deus era com ele”.

A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um homem de Deus precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente dEle. Esta era uma lição que Deus dava a José e que dá a cada um de Seus servos que tem o chamado de Deus para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

3. José enfrentou a dor de sentir-se um objeto descartável. José foi vendido como escravo pelos seus próprios irmãos (Gn.37:27-28). Ele foi tratado como mercadoria descartável. Ele foi arrancado brutalmente de seu lar, dos braços de seu pai, de sua terra. Sua vida foi arrasada, sua dignidade foi pisada. José foi vítima da mentira criminosa de seus irmãos que levou Jacó a desistir de procurá-lo (Gn.37:31,34). “[...], mas Deus era com ele”.

4. José enfrentou a dor de viver sem identidade. Vendido como escravo para um país estrangeiro, ele sentiu-se menos do que gente, sentiu-se um objeto, uma mercadoria. Se não fossem os seus sonhos, ele ficaria marcado para o resto da vida. José foi para o Egito sem nome, sem honra, sem dignidade pessoal, sem direitos, sem raízes. No Egito, é revendido, é colocado no balcão, na vitrina; é considerado apenas mão-de-obra, máquina de serviço, mercadoria humana. “[...], mas Deus era com ele”.

5. José enfrentou a dor do assédio sexual. A meu ver, esta foi a maior prova. José poderia enumerar várias razões para justificar sua queda moral com a mulher de Potifar, caso cedesse ao assédio. Veja algumas razões:

- Primeiro, ele era forte e bonito (Gn.39:6). O texto bíblico diz que José era formoso de porte e de aparência, inteligente e meigo. Ele era belo por fora e por dentro. Por isso, "a mulher [...] pôs os olhos em José" (Gn.39:7). Sua personalidade carismática, seu caráter sem mácula e sua beleza física fizeram dele o alvo predileto da cobiça da mulher de Potifar.

- Segundo, ele estava longe da família (Gn.39:1). José não tinha ninguém por perto para vigiá-lo. Ele já sofrera com a traição dos irmãos, o pai não estava por perto para cobrar nada. Ninguém o conhecia para se escandalizar com suas decisões. Porém, sua fidelidade não tinha que ver com popularidade ou com reputação social. Seus valores estavam plantados em solo firme. Seu compromisso era com Deus e consigo mesmo.

- Terceiro, ele era escravo (Gn.39:1). Um escravo só tem que obedecer. Por isso, ele podia pensar que não tinha nada a perder. Afinal de contas era sua própria senhora que o seduzia. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher (Gn.39:9). Além disso, José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. José estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar contra o seu Deus (cf. Gn.39:9).

- Quarto, ele foi tentado diariamente (Gn.39:7,10). Todos os dias a mulher de Potifar lhe dizia: "deita-te comigo". Ele poderia ter racionalizado e dito para si mesmo: "se eu não for para a cama com ela, perco o emprego e ainda posso ser preso". Mas, José não cedeu à tentação. Ele não abriu espaço em seu coração para flertar com o pecado.  Ele agiu de forma diferente de Sansão, que não resistiu à tentação e naufragou no abismo do pecado. Sua atitude foi firme a despeito da insistência da mulher de seu senhor.

- Quinto, ele foi agarrado (Gn.39:11,12). José podia dizer: "eu fiz o que estava a meu alcance. Se eu não cedesse, o escândalo seria maior". Mas, José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade. José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn.39:2-3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn.39:5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn.39:9) e um grave pecado contra Deus (Gn.39:9). Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn.39:12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado.

O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

6. A despeito das adversidades, José prosperou (Gn.39:2) – “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...”.

a) José prosperou na casa de Potifar. José não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - “Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha” (Gn 39:3,4). José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt.5:16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos.

b) José prosperou no cárcere. Acusado injustamente, José foi preso por seu próprio senhor, Potifar (Gn.39:20). José foi levado injustamente ao cárcere, mas ali, também, “o Senhor estava com José” (Gn.39:21). Além de estar com ele, mesmo numa situação tão difícil, a Bíblia nos diz que o Senhor “estendeu sobre ele a Sua benignidade” (Gn.39:21). O momento era assaz difícil para José, que sentia a dor da injustiça e revivia o trauma da cova em que fora lançado pelos seus próprios irmãos. Ciente desta circunstância psicológica altamente adversa, o Senhor lança sobre seu servo a sua benignidade, o seu bem-querer.

José se manteve na mesma linha da vida de comunhão com o Senhor e da excelência do serviço, do esforço e da dedicação. O resultado não poderia ter sido outro: José achou graça também aos olhos do carcereiro-mor (Gn.40:21). José passou a ser o encarregado de todos os presos que estavam na casa do cárcere (Gn.39:22), inclusive do padeiro-mor e do copeiro-mor, altos funcionários de Faraó que haviam sido presos (Gn.40:3,4). Mais uma vez José faz brilhar o nome do Senhor através do seu bom testemunho e isto num tempo em que nem sequer sabia que o servo de Deus deveria ser luz do mundo.

O ambiente prisional não é fácil, é extremamente violento, repleto de intrigas e de crueldade. Ali, notadamente nos dias de José, as pessoas não tinham praticamente nenhuma esperança de sobrevivência, eram extremamente maltratados e a vida não assumia qualquer valor. José, porém, soube liderá-los e ganhar não só a confiança do carcereiro-mor como também dos próprios presos. José estava, então, sem o saber, iniciando a fase final do seu aprendizado, para, então, exercer a função para a qual o Senhor o estava preparando.

c) José tornou-se governador do Egito aos 30 anos de idade (Gn.41:46). José ainda trabalhou dois anos inteiros na casa do cárcere depois que o copeiro-mor foi restituído ao seu cargo e o padeiro-mor, enforcado. Entretanto, depois destes dois anos, exatamente no dia do aniversário de Faraó(Gn.40:20), que este teve dois sonhos seguidos que muito o perturbaram e que não teve qualquer interpretação por parte dos magos (Gn.41:8). O copeiro-mor, então, lembrou-se de José e ele foi chamado à presença de Faraó, que lhe contou os sonhos, que foram interpretados por José (Gn.41:1-32). José, então, não só interpretou os sonhos, mas deu a solução para a questão, aconselhando a Faraó que deveria se prover de um varão entendido e sábio, que fosse posto sobre a terra do Egito e administrasse os anos de abundância para que, nos anos de fome, esta fosse mitigada (Gn.41:33-37). Deus moveu o coração de Faraó para nomeá-lo como governador do Egito, transformando-o na maior autoridade do país, devendo obediência tão somente a Faraó(Gn.41:38-41). Cumpria-se, então, parte dos sonhos da adolescência: José foi levantado do cárcere para o governo do Egito; da posição de escravo a governador, numa clara demonstração de que operando Deus, quem poderá impedir? (Is.43:13).

Às vezes, quando passamos por dificuldades intensas, pensamos que Deus está distante de nós, que Ele não está ligando para as nossas dores. Mas, aprende-se pela experiência de José, que: a presença de Deus é real, embora não vista; a presença de Deus é constante, embora nem sempre sentida; a presença de Deus é restauradora, embora nem sempre reconhecida. Deus não nos poupa dos problemas, mas caminha conosco em meio aos problemas. Deus jamais desampara os que confiam nele. Quando passamos pelo vale da sombra da morte, ele vai conosco – “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl.23:4); quando passamos pelas ondas, rios, fogo, ele vai conosco - “quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is.43:2). Quando os amigos de Daniel estavam na fornalha, o quarto homem estava com eles. Quando Daniel foi colocado injustamente na cova dos leões, Deus honrou a sua fé e fechou a boca dos leões. O apóstolo Paulo, passou por momentos difíceis no navio que o levava a Roma, mas Deus era com ele - Tempestades incontroláveis e inadministráveis foram de encontro ao barco. Paulo chegou até a perder a esperança de se salvar (Atos 27:20), mas um anjo lhe aparece e diz que ninguém se perderia.

Jesus prometeu estar conosco sempre, todos os dias de nossa vida, até a consumação dos séculos.

Portanto não tenha medo, tenha fé, tenha esperança. Deus está conosco no período de crise!.

II. A INTERVENÇÃO DE DEUS POR NÓS

Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno - “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:10). Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

1. Deus livrou José de todas suas aflições (Atos 7:10a) - “e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria. Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, ele é poderoso para enxugar suas lágrimas, para aliviar seu fardo, para acalmar as tempestades de seu coração, para trazer bonança para sua vida e lhe dar um tempo de refrigério.

2. Deus deu a José graça e sabedoria (Atos 7:10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do faraó. Em José havia o espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

3. Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (Atos 7:10c) - “o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz as Escrituras Sagradas. Deus usou José para salvar a vida de sua família e do Egito. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.

III. O LEGADO DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. Firmado numa fé e numa esperança inabalável de que Deus estava no controle de todas as coisas, José jamais deixou seu coração turbar-se diante das adversidades. Ele manteve-se firme, apesar das circunstâncias. Foi fiel a Deus na casa de seu pai; foi fiel como escravo em terra estranha; foi fiel na casa do cárcere como preso injustiçado e; foi fiel no palácio de Faraó como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “…Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap.2:10).

2. Excelência de serviço, dedicação e esforço. José sempre se apresenta nas Escrituras como uma pessoa zelosa da qualidade de seu serviço, seja como prestador de informações ao seu pai, como escravo na casa de Potifar, como servo dos presos a cargo do carcereiro-mor e como governador do Egito. José sempre fez o melhor que podia em todas as atividades que assumiu, não sendo preguiçoso, sempre pronto a servir e a atender aos seus superiores e a todos quantos lhe procurassem. Devemos servir desta mesma maneira, não só a Deus, mas também a todos quantos o Senhor põe para serem servidos por nós (Ef.6:5-8).

3. Disposição para perdoar. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifar. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” (Gn.50:21).

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manassés a seu primeiro filho (Gn.41:51). O nome Manassés significa "perdão” – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn.45:18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma.

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn.47:11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn.50:19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família.

4. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Ele sempre se apresentou com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José!.

CONCLUSÃO

Os sonhos de José eram os sonhos de Deus. Inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna. Seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo. Seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa. Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a terra prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados.

Se aprendermos a viver na dependência de Deus, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn. 50:20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”(Rm.8:28). Deus ainda está escrevendo a nossa história, e o último capítulo ainda não nos foi revelado. Coisas melhores estão por vir!.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Elienai Cabral. O Deus da Provisão – Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às crises. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro Homens, um Destino.

Comentário Bíblico Beacon.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. José, um líder piedoso e temente a Deus. PortalEBD_2007.

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