ASSEMBLEIA DE DEUS BRASIL

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ESCOLA BIBLICA DOMINICAL 2017 TERCEIRA AULA



Aula 03 - O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE

1º Trimestre/2017

Texto Base: Lucas 6:39- 49

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt.26:41)

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o perigo das obras da carne. Qual o maior perigo? A resposta está no final do versículo 21 do capítulo 5 de Gálatas: ”... os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”. Isto significa que aqueles que praticam as obras da carne não receberão o prêmio de um lar eterno com Deus. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e modificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo. A oração e a vigilância são armas fundamentais que o crente tem que usar na luta diária contra as obras da carne. Todos nós estamos sujeitos a cairmos em tentação, mas se nos esforçarmos e dermos lugar ao Espírito Santo em nossas vidas, e deixar que Ele nos controle plenamente, dificilmente as obras da carne terão chance de se sobressair.

I. A VIDA CONDUZIDA PELA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE

Nos é dito em Tiago 1:15, que a concupiscência ou os desejos ilícitos produzem o pecado. De acordo com 1João 2:15,16 todos os desejos pecaminosos são classificados em três categorias. Enquanto Eva estava diante da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela se deparou com estas três tentações: a concupiscência da carne - "a árvore boa para comer"; a concupiscência dos olhos - "a árvore agradável aos olhos"; a soberba da vida - "a árvore desejável para dar entendimento".

1. A Concupiscência da Carne. A concupiscência da carne simboliza a vida dominada pelos desejos, com pouco respeito por nós mesmos e por outras pessoas, a ponto de usá-las como coisas. Refere-se a qualquer desejo que incita alguém a alimentar a natureza sensual da carne (imoralidade, embriaguez, glutonaria, etc.). O fruto deu "água na boca" de Eva, mesmo sendo ele um fruto proibido. Nossos desejos e vontades devem ser controlados pelo Espírito Santo, pois os desejos da velha natureza são impuros e nos conduzem à morte espiritual.

2. A vida guiada pela Concupiscência da Carne. A “Carne” é a nossa natureza caída. São os impulsos e os desejos que gritam para serem satisfeitos. Segundo Augustus Nicodemus, “a ‘carne’ refere-se aos desejos impuros, que incluem todos os pensamentos, palavras e ações não puros: fornicação, adultério, estupro, incesto, sodomia e demais desejos não naturais, quer à intemperança no comer e no beber, motins, arruaças e farras, bem como todos os prazeres sensuais da vida, que gratificam a mente carnal e pelos quais a alma é destruída e o corpo, desonrado”.

Vivemos em uma sociedade hedonista, onde a busca pelo prazer tem feito com que muitos sejam dominados por desejos malignos, praticando, sem qualquer pudor, toda a sorte de impureza, e tudo em nome do prazer e da liberdade. Portanto, uma vida guiada pela concupiscência da carne é uma vida separada de Deus, cujo fim, se permanecer assim, será a perdição eterna.

3. A vida conduzida pela Concupiscência dos Olhos. A concupiscência dos olhos são as tentações que nos atacam de fora para dentro. É a tendência a deixar-se cativar pela exibição externa das coisas, sem investigar os seus valores reais. Refere-se à cobiça ou desejo descontrolado por coisas atraentes aos olhos, mas proibidas por Deus, inclusive o desejo de olhar para o que dá prazer pecaminoso. Os olhos são a lâmpada do corpo e as janelas da alma. Por eles entram os desejos.

Eva caiu porque viu o fruto proibido. Ló viu as campinas do Jordão e foi armando suas tendas para as bandas de Sodoma. Siquém viu Diná e a seduziu. A mulher de Potifar viu José e tentou deitar-se com ele. Acã viu a capa babilônica e arruinou-se. Davi viu Bate-Seba e adulterou com ela e a espada não se apartou da sua casa.

Cuidado com os seus olhos! Se eles o fazem tropeçar, arranque-os, porque é melhor você entrar no Céu caolho do que todo o seu corpo ser lançado no inferno (Mt.5:29).

Nesta era pós-moderna, a concupiscência dos olhos inclui o desejo de divertir-se contemplando pornografia, violência, impiedade e imoralidade no teatro, na televisão, na internet (principalmente), no cinema, ou em periódicos. Longe de Deus e sem o controle do Espírito Santo, o homem manifesta seus desejos mais perversos, trazendo sérios prejuízos para os relacionamentos. Quando o homem se torna insensível à voz de Deus e ao Espírito Santo, sendo governado apenas por seus instintos, torna-se semelhante aos animais. Lucas 11:34 diz: “A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso”.

O crente não pode se deixar seduzir pelos prazeres deste mundo (1João 2:15-17). Uma vida conduzida pela concupiscência dos olhos é uma vida sem o domínio do Espírito Santo, logo uma vida que corre grande perigo de perder a Salvação, a vida eterna com Deus.

II. A DEGRADAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO

O homem sem Deus, dotado de uma natureza pecaminosa, outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer aos desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cf. 2Tm.3:2), que levam a um caráter altamente reprovável, despido de auto-direcionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2), de cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1) e de auto-transcendência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29). Portanto, o cristão que se engoda nas obras da carne e não se esforça para sair delas, desmoraliza o seu caráter.

1. O Caráter. O caráter é elemento da personalidade do ser humano que não é inato e pode ser mudado. Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua existência.

2. O Caráter moldado pelo Espírito. Um caráter moldado pelo Espírito Santo é a maior necessidade de um cristão, hoje. As pessoas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Afirmou John Wooden: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“. Portanto, o caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências.

Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando. Nossa reputação, por outro lado, diz respeito à nossa conduta como é vista ou percebida por outros. “Boa” conduta sem caráter se torna hipocrisia. Isto foi revelado à igreja em Sardes: “Ao anjo da Igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto!” (Ap.3:1). Não adianta apenas dizer que é crente, é preciso evidenciar o nosso caráter cristão mediante as nossas ações (Mt.5:16).

Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o Templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl.137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé inquebrável no Deus vivo.

Concordo com o Pr. Osiel Gomes, quando diz que “muitos se dizem crentes, mas suas ações demonstram que nunca tiveram um encontro real com o Salvador. Muitos estão na igreja, mas ainda não foram realmente transformados por Jesus, pois quem está em Cristo é uma nova criatura e como tal procura andar em novidade de vida, pois já se despiu do velho homem, da natureza adâmica (2Co.5:17). Crentes que vivem causando escândalos, divisões, rebeldias, jamais experimentaram o novo nascimento”.

3. Ataques ao seu Caráter. Na nossa jornada temos que lutar contra três inimigos que farão de tudo para macular o nosso caráter: a carne, o Diabo e o mundo. Para enfrentar e vencer esses inimigos é necessário ter uma vida de comunhão com o Pai. É necessário orar, ler e estudar a Palavra de Deus. Sem a leitura da Bíblia e a oração não conseguiremos vencer a concupiscência da carne.

O caráter de Daniel e de seus amigos, na Babilônia, foi atacado. O caráter deles foi colocado à prova diante da determinação do rei Nabucodonosor. Veja o que diz Daniel 1:5-8: “E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego. E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”. Aqui, mostra que o maior de todos os perigos era o risco da aculturação. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de dois perigos:

a) O perigo das iguarias do mundo. As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso, a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: Bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus? Azarias significa: Jeová ajuda; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: servo de Nego. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.

III. UMA VIDA QUE NÃO AGRADA A DEUS

“O propósito do cristão deve ser viver uma vida que agrada a Deus, caso contrário, não tem valor algum professar a fé cristã”.

1. Viver segundo a carne. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”(Rm.8:8). Os que estão na carne não podem agradar a Deus, porque a única maneira de agradá-lo é submeter-se e obedecer à sua Lei, à Sua Palavra, à Sua vontade. As obras da carne e o Fruto do Espirito são mutualmente exclusivos. Quem pratica as obras da carne jamais produzirão Fruto do Espirito, pois quem pratica as obras da carne não está ligado à videira, que é Cristo. Portanto, é impossível obedecer à carne e ao Espírito ao mesmo tempo (Rm.8:7,8; Gl.5:17,18). Se alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne (Rm.8:13), torna-se inimigo de Deus (Rm.8:7; Tg.4:4), e a morte espiritual e eterna o aguarda (Rm.8:13).

Portanto, quais são os nossos objetivos na vida? Quais têm sido as nossas intenções?
Por que e para que estamos a praticar estes ou aqueles atos? Isto nos mostra se andamos segundo a carne ou segundo o Espírito. O justificado pela fé em Cristo Jesus age sempre por motivos e propósitos que estão de acordo com a vontade de Deus, que nos mantêm separados do pecado e que, por isso, não nos impede de prosseguir na nossa comunhão com o Senhor.

O apóstolo Paulo é contundente quando diz que a “inclinação da carne” é inimizade contra Deus e os que são segundo a carne não podem agradar a Deus (Rm.8:7,8). Temos aqui uma contundente declaração das Escrituras que desmente todo e qualquer movimento de tolerância e convivência com o pecado, movimentos estes que, lamentavelmente, estão presentes e em número cada vez maior no meio do segmento dito evangélico. Quantos não estão a dizer que “Deus só quer o coração”? Quantos não têm procurado se basear em “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (cf. 2Tm.4:3) para justificar as suas condutas pecaminosas e a prática da iniquidade? Os dias de hoje são difíceis e não são poucos os que têm se esforçado em encontrar guarida para as suas “inclinações da carne”, mas o Senhor, na Sua Palavra, é bem claro, é claríssimo: “os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm.8:8).

2. Vivendo como espinheiro. Os ramos que não produzem frutos são arrancados (João 15:2). O propósito do ramo é dar fruto. Se o ramo não dá fruto, não tem valor para o lavrador, por isso ele o tira. Exemplo triste deste tipo de julgamento é encontrado na história da nação israelita. Deus Pai, o Lavrador, no passado plantou uma vinha – “ E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre e também constituiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas...a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel...”(Is.5:2-7).

Deus não apenas plantou, como também dotou-a de todas as condições para que nela houvesse colheitas abundantes das melhores uvas da terra. Porém, Israel falhou! Produziu uvas bravas! A vinha foi rejeitada - “A gora, pois, vos farei saber o que hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada, nem cevada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuvas sobre ela” (Is.5:5,6). Israel pagou e continua pagando o preço de sua desobediência.

A Igreja, hoje, é nova Vinha do Senhor. Como Igreja ela não será rejeitada. Porém, cada crente, em particular, é advertido sobre a necessidade de produzir frutos, e frutos bons – “todo ramo em mim que não dá fruto, a tira... Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto...”.

Quem vive segundo a carne se torna um espinheiro, inútil para Deus e para a Igreja. Israel foi rejeitado porque não deu os frutos que Deus esperava de sua vinha. Israel tornou-se um espinheiro. Certamente que o Espírito Santo não deseja que aconteça o mesmo conosco.

3. Uma vida infrutífera. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se produza o Fruto do Espírito. Cristo é a Videira e Deus é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora (João 15:6).

Na Parábola da Figueira estéril, o Senhor Jesus disse que “...um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará; e, se não, depois a mandarás cortar” (Lc.13:6-9).

Embora a figueira estivesse na vinha, ela não tinha outro propósito a não ser dar fruto. Visto que a figueira era infrutífera, não teria o direito de existir. É fruto que o dono da vinha procura. Não folhas. As folhas dão beleza à árvore, mas, não alimentam. Quem tem fome, precisa de fruto.

Certa feita, a caminho de Jerusalém, Jesus teve fome – “E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente” (Mt.21:18,19). Era uma árvore bonita, tinha aparência, pois, estava carregada de folhas. Porém, foi amaldiçoada porque não tinha fruto. Não basta ter aparência, é preciso ter fruto. Através de uma vida frutífera glorificamos a Deus e testificamos que somos discípulos de Jesus – “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Mt.7:8).

Dar muito fruto deve ser o ideal bíblico desejado por todos os salvos. Isto é possível, pois, somos como “...a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará” (Sl.1:3). Estar em Cristo é a condição. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muitos frutos. Porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Não basta estar perto de Cristo, e muito menos longe. Faz-se necessário estar ligado a Ele, ser parte do seu próprio Corpo, para que possa receber da sua seiva (Espírito Santo) e assim dar muitos frutos.

CONCLUSÃO

A Carne é mais que sensualidade, é mais que luxúria sensual, é o homem vivendo no nível terreno e material, separado de qualquer contato com o espiritual ou o sobrenatural. Os que são dominados pela Carne buscam agradar a Carne e praticar suas obras (Gl.5:19-21). O resultado óbvio é que os que estão na Carne não podem agradar a Deus, serão excluídos da Videira e, por conseguinte, cortados e lançados para serem queimados, ou seja, excluídos para sempre da presença de Deus.

Que Deus possa nos abençoar e que saibamos, precisamente, viver em santidade, sendo Árvore frutífera para Deus até o instante da nossa glorificação.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Fruto do Espírito Santo e o caráter cristão. PortalEBD_2005.
Postado por Luciano de Paula Lourenço às 13:03

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/ 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

EBD QUARTO TRIMESTRE


Aula 09 - O MILAGRE ESTÁ EM SUA CASA

4º Trimestre/2016

 Texto Base: 2Reis 4:1-7

“Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses [...], que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e veste”(Dt.10:17,18).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos acerca do milagre que Deus operou por intermédio do profeta Eliseu para salvar uma viúva e seus dois filhos de uma crise financeira. Essa história, relatada em 2Reis 4:1-7, é muito conhecida no meio cristão tradicional e é um exemplo importantíssimo de como a provisão de Deus funciona no nosso lar. Esse milagre nos ensina que o pouco com Deus torna-se muito e a escassez pode converter-se em abundância. O Deus de Elizeu é também o nosso Deus. Ele é imutável - “Porque eu, o Senhor, não mudo...”(Ml.1:17); “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje e eternamente”(Hb.13:8) -, e mediante sua graça continua a alcançar os corações daqueles que estão desesperados por um milagre em sua casa.

I. UMA FAMÍLIA EM DIFICULDADES

1. A crise das dívidas. Não sabemos o nome da viúva nem dos seus filhos, mas sabemos que ela era esposa de um discípulo de Eliseu. De acordo com o historiador Flavo Josefo, “a viúva desta história era a esposa de Obadias, o mordomo de Acabe em 1Reis 18:3. O motivo de a família estar endividada era que Obadias havia sustentado os 100 profetas do Senhor que ele escondera de Acabe e Jezabel” (cf. 1Rs.18:4). Naquela época, e até mesmo à época de Jesus, as viúvas eram sustentadas pelos filhos. Tudo indica que os dois filhos dessa viúva ainda eram crianças. Como herança, o aprendiz de profeta deixou-lhe dois filhos para criar e uma dívida para saldar. Não havia pensão, não havia seguro de vida e não havia ninguém por ela. Por isso, não tardou surgirem os “abutres do lucro fácil”, ávidos por confiscar os seus filhos.

2. O risco de perder os filhos. Achando-se incapaz de saldar a dívida deixada pelo seu marido, a viúva enfrentou a possibilidade de o credor tomar seus dois filhos para um período de escravidão. Os credores queriam logo recuperar seu dinheiro. Então, a viúva deve ter-lhes dito: “Sinto muito, senhores, eu não tenho recursos para pagar a dívida que o meu marido contraiu”. Ao que eles, talvez, responderam: “Muito bem, senhora, como não dispõe do valor necessário para quitar a dívida, de acordo com a lei, podemos levar seus dois filhos como pagamento. Eles serão nossos escravos, para compensar a dívida que seu a marido não saldou”. O texto em Levítico 25:39,40 determina que se o devedor não pudesse pagar a sua dívida, ele era obrigado a servir ao credor como escravo até o ano do jubileu. Deus, porém, interveio e concedeu àquela viúva a provisão suficiente para atender à sua urgente necessidade e de seus dois filhos.

Aquela era uma época terrível! Eram dias de plena apostasia, em que o temor de Deus havia desaparecido; cada um fazia o que queria, ignorando por completo a lei de Deus. Os contemporâneos de Eliseu abusavam das crianças necessitadas, tolhendo-lhes o direito, o respeito e a dignidade.

E os nossos contemporâneos, não têm feito o mesmo? Nossas crianças têm sido comercializadas; sua inocência tem dado lucro a muita gente; seu corpo angelical tornou-se um objeto de desejo; suas mãos delicadas se transformaram em “mão-de-obra barata”; a formação do caráter e personalidade de milhares de crianças inocentes e indefesas tem sido colocada à mercê de casais homossexuais, com educação moral e espiritual totalmente desviada do padrão judaico-cristão. Não podemos nos calar, nem fingir que tudo isso não acontece.

3. A viuvez. Dentro dos dramas sociais que o cristão pode se deparar está a viuvez. É um fato comum em nossa sociedade, caracterizado pela perda do companheiro de vida, que abarca milhares de pessoas. Faz parte do processo natural da existência do ser humano, por isso deve-se estar preparado para este estado aflitivo da vida. Quando o cônjuge perde a sua companheira (ou companheiro) significa um rompimento do ciclo de um convívio íntimo, intenso e profundo; a pessoa viúva enfrentará a solidão e a saudade do cônjuge que se foi. Algumas pessoas suportam com resignação esta lacuna da vida, mas outras se definham diante da amargura que lhe envolve, resultando em insegurança existencial que paralisam a sua sociabilidade e espiritualidade.

A palavra viuvez deriva da forma latina “vidua”, que significa “ser privado de algo”. É uma situação de desconsolo por desamparo. É um fato dramático, que atinge não só o psiquê e a saúde dos indivíduos, mas também suas relações sociais, tanto dentro da família quanto na sua comunidade. A condição de viuvez pode fazer com que as pessoas após anos de convivência, enfrentem um momento de solidão, processo profundamente sofrido, não só pela perda do marido ou esposa, mas pelas dificuldades em administrar a casa e os filhos na falta do chefe da família.

No Antigo Testamento, a viúva era personagem marginalizada, especialmente se não tinha filhos crescidos para cuidar dela ou algum familiar que se tornasse o remidor, casando-se com ela. Era facilmente vitimada e tinha limitados recursos materiais e financeiros (vide Sl.94:6). Mas, Deus sempre teve uma atenção especial à viuvez, quer no Antigo quer no Novo Testamento. As recomendações foram claras e imperativas ao povo de Israel. Cito algumas:

 “Quando no teu campo colheres a tua colheita, e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-lo; para [...] a viúva será; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos”(Dt.24:19);

“Quando sacudires a tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; ...para a viúva será”(Dt.24:20);

“Quando vindimares a tua vinha, não voltarás para a rebuscá-la; ...para a viúva será o restante”(Dt.24:21);

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem”(Dt.26:12);

“A nenhuma viúva ... afligireis”(Ex.22:22).

“Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas”(1Tm.5:16).

A bondade demonstrada às viúvas era louvada como um dos sinais da verdadeira religião. Diz o profeta Isaías: “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is.1:17). Diz também Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas Tribulações...” (Tg.1:27).

Quando esta fase da vida chega na vida de um irmão ou irmã, a Igreja e a família devem estar prontas para dar-lhe total apoio, consolo e carinho, bem como acudi-la(o) no aspecto estrutural necessário à sua convivência social e firmeza espiritual.

É bom ressaltar que a opressão e a injúria contra as viúvas fazem o faltoso incorrer em horrenda punição – “E chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os que [...] pervertem o direito da viúva [...] (Ml.3:5).

No caso da viúva em epígrafe, a dívida contraída por seu marido deveria ser paga com a venda de seus filhos. Em meio a esta situação tenebrosa, a mulher lembrou-se do homem de Deus. Talvez Eliseu tivesse conhecido aquela família nos tempos de bonança.

Deus não desampara as viúvas e os órfãos. Deus é o socorro do Seu povo na hora da angústia. O salmista assim se expressou: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Salmo 46:1). O socorro divino nem sempre se manifesta em forma de milagre, de algo sobrenatural; pode ser de forma muito simples e nem ser notada. Geralmente o socorro de Deus vem pela ação de algum dos Seus servos que Ele usa para a glória do nome dEle; muitas vezes vem como resposta à oração. É o Pai respondendo ao clamor de seus filhos.

II. DEUS REALIZA MILAGRES

1. A fé do profeta. O milagre é uma forma perceptível de demonstração de que a fé é o meio pelo qual alguém obtém os benefícios da parte de Deus. Os 14(quatorze) milagres operados pelo profeta Eliseu evidenciam a fé dele e o cuidado de Deus para com todos aqueles que creem nEle. Foram uma clara demonstração do poder de Deus, que teve como propósito específico demonstrar a graça de Deus e sua glória nas mais diferentes situações. Em nenhum momento Eliseu ensoberbeceu-se do dom que havia nele, e nem deixou transparecer que se tratava de algo que ele conseguia manipular através do domínio de alguma técnica ludibriante.

Os milagres operados objetivam a glorificar a Deus. A maioria deles é uma resposta de Deus ao sofrimento do ser humano, todavia, não se concentra no ser humano, mas em Deus. Diferentemente do que acontece hoje em muitos segmentos cristãos, principalmente aqueles que se expõem na mídia, os profetas do Antigo Testamento bem como os discípulos de Cristo nunca buscaram chamar a atenção para si através dos milagres que realizavam nem tirar proveitos deles. No Novo Testamento, os milagres estão diretamente ligados com a obra salvífica de Cristo e tem a função de confirmar a palavra que é pregada pelos mensageiros do Senhor.

O milagre não tem por objetivo criar um espetáculo. Observe que os milagres não davam testemunho dos apóstolos e sim do Senhor Jesus e da sua mensagem. Somente os que buscam a própria glória transformam os milagres em um show (é o que estamos vendo hoje em muitas igrejas). Para esses, Jesus tem um recado: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”(Mt.7:22,23).

O crente deve ter cuidado com a supervalorização dos milagres. Conquanto Deus realize sinais e maravilhas através do seu povo santo, os mesmos não devem nortear a vida do crente. Sinais e maravilhas são feitos pelo Senhor, que utiliza a instrumentalidade humana para esse fim, mas isso não significa que eles são o indicativo para a orientação de Deus às nossas vidas. Há pessoas que se colocam como reféns de milagres, como se estes fossem o marco regulatório para a vida cristã, e não tomam nenhuma postura ou atitude na vida se não virem milagres à sua volta. Tais pessoas precisam aprender a crer que os milagres são parte do Evangelho, mas que a Palavra de Deus é que deve nortear a vida do crente. Os sinais seguem aqueles que seguem a Palavra de Deus, e não os que creem seguem os milagres.

2. A viúva procurou Eliseu. Não tendo a quem mais recorrer, a pobre viúva apelou ao profeta Eliseu, apesar de saber que este também não possuía recursos financeiros. Confiava que ele encontraria em Deus uma saída para a crise. Ela sabia que o profeta Eliseu era um homem de Deus, por isso recorreu a ele (2Rs.4:1). As Escrituras Sagradas mostram que o Senhor socorre o necessitado:

“Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia...” (Is.25:4);

“Porque o Senhor ouve os necessitados…”(Sl.69:33);

“Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado da mão dos malfeitores” (Jr.20:13);

“Eu sou pobre necessitado; mas o Senhor cuida de mim; tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus” (Sl.40:17).

Diante do clamor daquela viúva (2Rs.4:1), Eliseu ficou sensibilizado e não hesitou em atendê-la. Como homem de Deus, ele sabia que o Senhor poderia reverter a situação financeira daquela viúva. Ele não quis saber quem era o responsável pela dívida, mas decidiu ajudar uma pessoa necessitada. Tal como Elias fizera em Sarepta (1Reis 17), usou do pouco que ela tinha para resolver o problema. Deus compadeceu-se daquela mulher sofredora e interveio na sua causa. O Senhor é compassivo, misericordioso e longânime – “Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem misericórdia” (Sl.116:5); “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22).

Aquela mulher procurou um servo de Deus e apresentou seu problema, pedindo socorro. Nosso comportamento deve ser o mesmo hoje. Quando enfrentamos dificuldades, devemos clamar a Deus pedindo Sua ajuda. Ele designará um cristão que o ama e obedece a Ele para nos socorrer. Deus está sempre à nossa espera para atender e satisfazer todas as nossas verdadeiras necessidades. Por isso nós, servos de Deus, podemos ser usados da mesma maneira que o Senhor usou Eliseu, com o objetivo de auxiliar alguém que esteja passando necessidades. Há grande suprimento para toda necessidade quando Deus intervém. Coloque tudo o que tem nas mãos de Deus e, ainda que seja pouco, se fará mais que suficiente.

3. Deus utiliza aquilo que temos. Diante do clamor da viúva, o profeta Eliseu perguntou-lhe: “Que te hei de eu fazer? Declara-me que é o que tens em casa. E ela disse: tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite” (2Rs.4:2). É uma resposta bastante desanimada. Às vezes acontece conosco também, quando estamos diante das crises que se agigantam de forma tenebrosa e nos deixa combalidos. Ora, se para Deus o nada já é muita coisa, quanto mais uma botija de azeite. A provisão milagrosa lhe veio mediante o que ela já tinha: um vaso de azeite. A provisão foi dada na medida da fé que a mulher tinha e da sua capacidade de armazenamento. Deus usou o que ela possuía para multiplicar-lhe os recursos e realizar o milagre de que ela precisava. Para Deus operar um milagre a quantidade não faz nenhuma diferença. Vejamos:

·     Moisés – tinha uma vara: “… e os filhos de Israel passaram pelo meio do mar em seco…” (Êx.14:16,21,22).

·     Sansão – tinha uma queixada de um jumento: “… e feriu com ela mil homens” (Jz.15:15).

·     Davi – tinha uma funda e cinco pedras: “E assim… prevaleceu contra o gigante filisteu…” (1Sm.17:40,50).

·     A viúva de Sarepta – tinha farinha na panela e azeite na botija: “… e assim comeu ela… e a sua casa muitos dias” (1Rs.17:12,14,15).

·     Elias – tinha uma capa: “… e passaram ambos (Elias e Eliseu) o rio Jordão em seco” (2Rs.2:8).

·     Os discípulos – tinham cinco pães e dois peixinhos: “… e deram de comer a quase cinco mil homens” (Mc.6:37-44).

·     O apóstolo Pedro – tinha unção e poder e disse ao paralítico: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta e anda” (At.3:6).

·     O apóstolo Pedro tinha uma rede de pesca e viu o milagre de Deus, depois de uma noite sem pegar nada – “E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede” (Lc.5:6).

·     A mulher do profeta – tinha apenas uma botija de azeite. E foi a partir desta botija de azeite que Deus operou o milagre: “E sucedeu que, todos os vasos foram cheios…” (2Rs.4:2,6,7). É a partir de "uma botija de azeite" que Deus torna tudo abundante, porque Ele é o Deus de toda provisão.

III. PROVISÃO NA MEDIDA CERTA

1. Preparação para receber o milagre. Eliseu havia compreendido o que Deus podia fazer usando um simples vaso com azeite, a princípio insignificante, e então disse à mulher e a seus filhos para pedir emprestado aos vizinhos a maior quantidade de frascos vazios que pudessem (cf. 2Rs.4:3-5). A mulher precisaria de muitas vasilhas, pois a multiplicação do azeite, que haveria em sua casa, seria sem medida, abundante. Ela precisava se preparar para receber tal bênção. O azeite era uma mercadoria muito apreciada em Israel, servindo como alimento, medicamento, cosmético, combustível e para fins religiosos. Aquela mulher demonstrou o seu calor por meio da fé e por meio de um especial empenho para vender rapidamente o produto e saldar sua dívida.

Muitas vezes, nos sentimos como aquela viúva quando percebemos que o que nos resta parece algo absolutamente insignificante, de modo que nem cogitamos que aquilo possa ser usado por Deus a nosso favor. Contudo, essa história nos mostra que Deus tem poder para transformar em muito aquilo que nos parece pouco.

Creia que o dia do seu milagre chegará, assim como chegou para essa viúva. Só precisamos manter o que aquela viúva mantinha: temor a Deus (2Rs.4:1). Aos seus servos o Senhor Deus não nega bem nenhum. No tempo apropriado a provisão divina chegará. Está escrito: “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor bem nenhum faltará”(Sl.34:10).

2. Provisão abundante. A viúva recebeu mais do que precisava - “... E sucedeu que, cheios que foram os vasos, disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso. Porém ele lhe disse: Não há mais vaso nenhum. Então, o azeite parou “(2Rs.4:6). A viúva recebeu do Senhor mais do que pedira. Seu pedido fora apenas que seus filhos ficassem livres de viver na escravidão, mas em sua pobreza ela ainda tinha muitas outras necessidades. Deus Se dispôs a suprir essas necessidades. Ele constantemente dá aos seres humanos bênçãos muito maiores do que eles pedem para si mesmos.

O milagre, portanto, depende do que se têm. O que é que você tem em casa? Diante da pergunta, você poderia responder: “Não tenho nada”. Não seja tão pessimista para enxergar o quão é suficiente para Deus para fazer um grande milagre através daquilo que você considera não ser nada. Um martelo é suficiente para transformar você num homem de grandes negócios. Deus irá operar o milagre em sua vida a partir do que você tem. Se nada oferecemos a Deus, Ele nada terá para usar. Mas Ele pode usar o pouco que temos e transformá-lo em muito. “Sem fé é impossível agradar a Deus”.

Nós podemos nem ter tudo, e, contudo, podemos ter conosco alguma coisa que Deus é capaz de abençoar abundantemente - “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef.3:20).

Não perca a esperança! O pouco pode ser transformado em muito se for colocado nas mãos do Senhor e por Ele abençoado. A viúva tinha somente uma botija de azeite e a lição que aprendemos é que Deus abençoa aquilo que temos. Sua medida é sempre além, sacudida, recalcada e transbordante (Lc.6:38).

3. Fé em ação. A viúva e seus dois filhos precisavam seguir as orientações do profeta. A orientação do profeta Eliseu foi simples e objetiva:

a) “...pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos”. Às vezes temos que fazer algo que esteja ao nosso alcance para receber o que Deus nos quer dar.

b)  “...fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos...”. A mulher devia fechar a porta, ficar a sós com seus filhos e trabalhar. Nem sempre as bênçãos de Deus acontecem no meio de muita gente. Neste sentido, Jesus orientou assim: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará” (Mt.6:6).

“...fecha a porta” (2Rs.4:4). O que se percebe nesta expressão é que o homem de Deus, Eliseu, não buscou notoriedade no milagre. Ele tinha plena certeza que Deus era quem estava operando aquele grande milagre. Então a glória pertencia a Deus e não ao profeta. É possível que uma das causas da escassez de milagres hoje esteja na publicidade desenfreada. Deus quer privacidade, mas os homens gostam de notoriedade. Gostam de aparecer e vangloriar-se (leia Lc.12:15). Deixam a porta aberta para serem vistos!

c) “... e eles lhe traziam os vasos, e ela os enchia”. A mulher foi ajudada por seus filhos. A participação de nossos filhos na obra de Deus é uma bênção!

d) “...vivei do resto”(2Rs.4:7). A viúva e seus filhos olharam para todos os vasos cheios do azeite oriundo de sua pequena botija e o fez saber ao homem de Deus. E Eliseu disse para ela vender o azeite e pagar a dívida deixada por seu marido. Com o dinheiro que sobrasse, ela e seus filhos, poderiam viver por muito tempo. O milagre da multiplicação do azeite, além de resolver o problema da dívida deixada pelo marido, proveu o sustento dela e dos filhos por muito tempo. Às vezes Deus quer dar bênçãos duradouras e a pessoa quer apenas as temporárias. Salvação é bênção duradoura; cura de alguma enfermidade é temporária.

Portanto, precisamos agir com fé, pois a fé sem obras, sem atitudes, sem ação, é morta. A mulher pegou as vasilhas e começou a enchê-las a partir da botija de azeite que ela tinha em sua casa. Ela foi quem encheu as vasilhas e não o profeta. Este somente deu a orientação. Da mesma forma, Deus nos orienta, conforme as nossas forças e os nossos recursos, a agirmos e buscarmos a solução para os nossos problemas. Mas, nós é que devemos que correr atrás, que buscar, que agir.

A fé que aquela mulher tinha no Senhor tornou possível que ela saísse daquela situação crítica; permitiu que ela apresentasse seu problema a Deus e confiasse nele para orientá-la no sentido de encontrar a solução. Deus também deseja que você creia e busque em Sua Palavra a orientação sobre o que esperar dele e sobre como agir com sabedoria nos momentos de escassez.

Prezado irmão e amigo, você está aguardando no Senhor algum milagre em sua casa, em sua vida? Você tem passado por provações na vida semelhante às desta viúva? Você é temente a Deus como essa viúva? Você tem buscado em Deus a solução de seus problemas ou apenas tem comentado com os outros o que você está passando? Faça como a viúva em comento: seja obediente aos mandamentos de Deus, tenha fé e aja com ousadia e determinação.

CONCLUSÃO

Muitos são os fatores que podem levar uma família a passar escassez: a morte do provedor ou o descaso deste para com os seus dependentes; desemprego, doenças, etc. É bom saber que estes fatores podem acontecer tanto para os que amam e temem ao Senhor quanto para os que não o temem. Temos que avaliar as causas disso. Muitas vezes a escassez advém de desequilíbrio na família, no tocante ao consumismo. O mal de muitos é não saber distribuir, é não ter método no gastar. Se tem muito, gastam tudo; quando não tem bastante, tomam emprestado. Por isso a vida financeira de muitos que se dizem cristãos é uma pedra de tropeço diante dos incrédulos. Sejamos cuidadosos na maneira de gastar o nosso dinheiro, busquemos a direção do Senhor de nossas vidas, para que ele nos ensine a usar o pouco que nos foi entregue. Economize comprando no estabelecimento que é mais em conta. Racionalize os gastos com água, luz, telefone, etc. (ler Gn.41:35,36; Pv.21:20). Fuja das dívidas! Evite o desperdício e o supérfluo. Gaste somente o necessário, dentro da sua capacidade financeira! Liberte-se do consumo irresponsável! Viva dentro do orçamento cabível e, se for possível, reserve um pouco para imprevistos, que sempre aparecem.

“O Senhor é meu Pastor; de nada terei falta” (Sl 23:1,NVI). Deus, o Pastor do Salmo 23, é Aquele que detém todas as coisas em Suas mãos, e faz com que nada falte aos Seus. Restaura a saúde, proporciona tranquilidade, segurança, proteção, prosperidade e fartura. Sua bondade e fidelidade acompanham seus filhos por toda a vida. Creia nisso!

Assim como aquela viúva que pediu ajuda ao profeta Eliseu, temos uma dívida que não podemos pagar, que herdamos de Adão e na qual incorremos todos os dias: o pecado. E o pagamento dessa dívida implicaria a morte espiritual e eterna, se não fosse o sacrifício de Cristo Jesus em nosso lugar. Jesus pagou a nossa dívida com Sua própria vida. O apóstolo Paulo com muita propriedade escreveu: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl.2:14). Portanto, no momento em que alguém aceita Jesus, com sinceridade, é salvo, e suas reais necessidades (de perdão, paz, amor, salvação, vida eterna, etc.) são supridas.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro homens, um destino.

Pr. Elienai Cabral. O Deus da Provisão, Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio ás crises. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Rute, uma perfeita história de amor.

Comentário Bíblico Beacon, v.2 – CPAD.

Porção Dobrada – Pr. José Gonçalves – CPAD.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

terça-feira, 8 de novembro de 2016


Aula 07 - JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS

4º Trimestre/2016

Texto Base: Gênesis 37:1-11

"E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero [...]" (Gn.39:2).



INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos a história do patriarca José, neto de Abraão. José foi um homem de fé, piedoso e temente a Deus. Ele é o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição e; salvador de seu povo.

Por um período de treze anos – dos dezessete até os trinta anos de idade – José passou por diversas crises e provações, mas diz a Bíblia que “o Senhor estava com José” (Gn.39:2; Atos 7:9). Ele foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos; vendido com escravo; exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”.

José é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo sem Deus e sem salvação. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independente da idade e das circunstâncias que o envolvam. José foi fiel na adversidade e na prosperidade.

Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante à de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Deus está conosco no vale da dor, está conosco no leito da enfermidade, está conosco nas agruras, nas intempéries, nas vicissitudes, nas tempestades da vida. As provas pelas quais passamos são trabalhadas por Deus para nosso bem final. Nosso Deus ainda continua transformando vales em mananciais, desertos em pomares, noites escuras em manhãs cheias de luz, vidas esmagadas pelo sofrimento em troféus de sua generosa graça.

I. DEUS ESTÁ CONOSCO NO PERÍODO DE CRISE

“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).

Deus não nos livra dos problemas, mas está conosco em meio aos problemas. Muitos foram os problemas que José enfrentou, mas ele os enfrentou com resiliência. Destaco, a seguir, algumas crises mais doridas que José enfrentou.

1. José enfrentou a inveja destrutiva dos seus irmãos. Segundo teóricos da psicologia, “existem dois tipos de inveja: a inveja construtiva e criativa, e a inveja destrutiva. A inveja pode ser construtiva quando ela estimula o invejoso a se desenvolver individual e culturalmente. Quando se conhece alguém e se inveja seus atributos e qualidades, a inveja construtiva parte para obter também tais qualidades. Contudo, a inveja destrutiva não somente incapacita o invejoso de se humanizar e crescer, como quer destruir o objeto de sua inveja, por não querer pagar o preço de se superar”.

José foi vítima de inveja destrutiva dos seus irmãos. Eles o desprezaram e o fizeram sofrer muito. José era um jovem sonhador, mas os seus sonhos foram o pesadelo de seus irmãos; geraram inveja no coração de seus irmãos (Gn.37:11), e eles já não falavam mais pacificamente com ele (Gn.37:4).

José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn.49:22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn.49:27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn.35:22; 49:4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn.34:25-29; 49:5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn.37:11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn.37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn.37:18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado por aqueles que deveriam protegê-lo. Por ser amado do pai e viver uma vida íntegra, seus irmãos passaram a ter inveja dele - “Seus irmãos, pois, o invejavam” (Gn.37:3,11).

A inveja é um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Segundo o Dicionário Aurélio, a inveja é "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem", ou o "desejo violento de possuir bem alheio". É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gálatas 5:19-21. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído; basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja, e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo.

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. O invejoso nunca é feliz, porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. O invejoso nunca é grato, porque está sempre querendo o que é do outro. O invejoso nunca tem paz, porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja: “uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. A serpente respondeu: ‘porque não suporto vê-lo brilhar’”.

Uma pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade. Os irmãos de José foram dominados por este maligno sentimento e o prejudicaram. “[...], mas Deus era com ele” (Atos 7:9).

2. José enfrentou a dor do abandono. José perdeu, de um momento para outro, toda a posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn.37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Foi abandonado por aqueles que mais deviam amá-lo. José foi jogado no fundo de um poço pelos seus irmãos e taparam os ouvidos ao clamor de José (Gn.42:21). Seus irmãos o abandonaram e o mataram no coração (Gn.37:20-22). “[...], mas Deus era com ele”.

A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um homem de Deus precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente dEle. Esta era uma lição que Deus dava a José e que dá a cada um de Seus servos que tem o chamado de Deus para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

3. José enfrentou a dor de sentir-se um objeto descartável. José foi vendido como escravo pelos seus próprios irmãos (Gn.37:27-28). Ele foi tratado como mercadoria descartável. Ele foi arrancado brutalmente de seu lar, dos braços de seu pai, de sua terra. Sua vida foi arrasada, sua dignidade foi pisada. José foi vítima da mentira criminosa de seus irmãos que levou Jacó a desistir de procurá-lo (Gn.37:31,34). “[...], mas Deus era com ele”.

4. José enfrentou a dor de viver sem identidade. Vendido como escravo para um país estrangeiro, ele sentiu-se menos do que gente, sentiu-se um objeto, uma mercadoria. Se não fossem os seus sonhos, ele ficaria marcado para o resto da vida. José foi para o Egito sem nome, sem honra, sem dignidade pessoal, sem direitos, sem raízes. No Egito, é revendido, é colocado no balcão, na vitrina; é considerado apenas mão-de-obra, máquina de serviço, mercadoria humana. “[...], mas Deus era com ele”.

5. José enfrentou a dor do assédio sexual. A meu ver, esta foi a maior prova. José poderia enumerar várias razões para justificar sua queda moral com a mulher de Potifar, caso cedesse ao assédio. Veja algumas razões:

- Primeiro, ele era forte e bonito (Gn.39:6). O texto bíblico diz que José era formoso de porte e de aparência, inteligente e meigo. Ele era belo por fora e por dentro. Por isso, "a mulher [...] pôs os olhos em José" (Gn.39:7). Sua personalidade carismática, seu caráter sem mácula e sua beleza física fizeram dele o alvo predileto da cobiça da mulher de Potifar.

- Segundo, ele estava longe da família (Gn.39:1). José não tinha ninguém por perto para vigiá-lo. Ele já sofrera com a traição dos irmãos, o pai não estava por perto para cobrar nada. Ninguém o conhecia para se escandalizar com suas decisões. Porém, sua fidelidade não tinha que ver com popularidade ou com reputação social. Seus valores estavam plantados em solo firme. Seu compromisso era com Deus e consigo mesmo.

- Terceiro, ele era escravo (Gn.39:1). Um escravo só tem que obedecer. Por isso, ele podia pensar que não tinha nada a perder. Afinal de contas era sua própria senhora que o seduzia. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher (Gn.39:9). Além disso, José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. José estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar contra o seu Deus (cf. Gn.39:9).

- Quarto, ele foi tentado diariamente (Gn.39:7,10). Todos os dias a mulher de Potifar lhe dizia: "deita-te comigo". Ele poderia ter racionalizado e dito para si mesmo: "se eu não for para a cama com ela, perco o emprego e ainda posso ser preso". Mas, José não cedeu à tentação. Ele não abriu espaço em seu coração para flertar com o pecado.  Ele agiu de forma diferente de Sansão, que não resistiu à tentação e naufragou no abismo do pecado. Sua atitude foi firme a despeito da insistência da mulher de seu senhor.

- Quinto, ele foi agarrado (Gn.39:11,12). José podia dizer: "eu fiz o que estava a meu alcance. Se eu não cedesse, o escândalo seria maior". Mas, José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade. José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn.39:2-3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn.39:5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn.39:9) e um grave pecado contra Deus (Gn.39:9). Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn.39:12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado.

O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

6. A despeito das adversidades, José prosperou (Gn.39:2) – “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...”.

a) José prosperou na casa de Potifar. José não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - “Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha” (Gn 39:3,4). José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt.5:16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos.

b) José prosperou no cárcere. Acusado injustamente, José foi preso por seu próprio senhor, Potifar (Gn.39:20). José foi levado injustamente ao cárcere, mas ali, também, “o Senhor estava com José” (Gn.39:21). Além de estar com ele, mesmo numa situação tão difícil, a Bíblia nos diz que o Senhor “estendeu sobre ele a Sua benignidade” (Gn.39:21). O momento era assaz difícil para José, que sentia a dor da injustiça e revivia o trauma da cova em que fora lançado pelos seus próprios irmãos. Ciente desta circunstância psicológica altamente adversa, o Senhor lança sobre seu servo a sua benignidade, o seu bem-querer.

José se manteve na mesma linha da vida de comunhão com o Senhor e da excelência do serviço, do esforço e da dedicação. O resultado não poderia ter sido outro: José achou graça também aos olhos do carcereiro-mor (Gn.40:21). José passou a ser o encarregado de todos os presos que estavam na casa do cárcere (Gn.39:22), inclusive do padeiro-mor e do copeiro-mor, altos funcionários de Faraó que haviam sido presos (Gn.40:3,4). Mais uma vez José faz brilhar o nome do Senhor através do seu bom testemunho e isto num tempo em que nem sequer sabia que o servo de Deus deveria ser luz do mundo.

O ambiente prisional não é fácil, é extremamente violento, repleto de intrigas e de crueldade. Ali, notadamente nos dias de José, as pessoas não tinham praticamente nenhuma esperança de sobrevivência, eram extremamente maltratados e a vida não assumia qualquer valor. José, porém, soube liderá-los e ganhar não só a confiança do carcereiro-mor como também dos próprios presos. José estava, então, sem o saber, iniciando a fase final do seu aprendizado, para, então, exercer a função para a qual o Senhor o estava preparando.

c) José tornou-se governador do Egito aos 30 anos de idade (Gn.41:46). José ainda trabalhou dois anos inteiros na casa do cárcere depois que o copeiro-mor foi restituído ao seu cargo e o padeiro-mor, enforcado. Entretanto, depois destes dois anos, exatamente no dia do aniversário de Faraó(Gn.40:20), que este teve dois sonhos seguidos que muito o perturbaram e que não teve qualquer interpretação por parte dos magos (Gn.41:8). O copeiro-mor, então, lembrou-se de José e ele foi chamado à presença de Faraó, que lhe contou os sonhos, que foram interpretados por José (Gn.41:1-32). José, então, não só interpretou os sonhos, mas deu a solução para a questão, aconselhando a Faraó que deveria se prover de um varão entendido e sábio, que fosse posto sobre a terra do Egito e administrasse os anos de abundância para que, nos anos de fome, esta fosse mitigada (Gn.41:33-37). Deus moveu o coração de Faraó para nomeá-lo como governador do Egito, transformando-o na maior autoridade do país, devendo obediência tão somente a Faraó(Gn.41:38-41). Cumpria-se, então, parte dos sonhos da adolescência: José foi levantado do cárcere para o governo do Egito; da posição de escravo a governador, numa clara demonstração de que operando Deus, quem poderá impedir? (Is.43:13).

Às vezes, quando passamos por dificuldades intensas, pensamos que Deus está distante de nós, que Ele não está ligando para as nossas dores. Mas, aprende-se pela experiência de José, que: a presença de Deus é real, embora não vista; a presença de Deus é constante, embora nem sempre sentida; a presença de Deus é restauradora, embora nem sempre reconhecida. Deus não nos poupa dos problemas, mas caminha conosco em meio aos problemas. Deus jamais desampara os que confiam nele. Quando passamos pelo vale da sombra da morte, ele vai conosco – “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl.23:4); quando passamos pelas ondas, rios, fogo, ele vai conosco - “quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is.43:2). Quando os amigos de Daniel estavam na fornalha, o quarto homem estava com eles. Quando Daniel foi colocado injustamente na cova dos leões, Deus honrou a sua fé e fechou a boca dos leões. O apóstolo Paulo, passou por momentos difíceis no navio que o levava a Roma, mas Deus era com ele - Tempestades incontroláveis e inadministráveis foram de encontro ao barco. Paulo chegou até a perder a esperança de se salvar (Atos 27:20), mas um anjo lhe aparece e diz que ninguém se perderia.

Jesus prometeu estar conosco sempre, todos os dias de nossa vida, até a consumação dos séculos.

Portanto não tenha medo, tenha fé, tenha esperança. Deus está conosco no período de crise!.

II. A INTERVENÇÃO DE DEUS POR NÓS

Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno - “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:10). Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

1. Deus livrou José de todas suas aflições (Atos 7:10a) - “e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria. Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, ele é poderoso para enxugar suas lágrimas, para aliviar seu fardo, para acalmar as tempestades de seu coração, para trazer bonança para sua vida e lhe dar um tempo de refrigério.

2. Deus deu a José graça e sabedoria (Atos 7:10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do faraó. Em José havia o espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

3. Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (Atos 7:10c) - “o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz as Escrituras Sagradas. Deus usou José para salvar a vida de sua família e do Egito. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.

III. O LEGADO DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. Firmado numa fé e numa esperança inabalável de que Deus estava no controle de todas as coisas, José jamais deixou seu coração turbar-se diante das adversidades. Ele manteve-se firme, apesar das circunstâncias. Foi fiel a Deus na casa de seu pai; foi fiel como escravo em terra estranha; foi fiel na casa do cárcere como preso injustiçado e; foi fiel no palácio de Faraó como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “…Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap.2:10).

2. Excelência de serviço, dedicação e esforço. José sempre se apresenta nas Escrituras como uma pessoa zelosa da qualidade de seu serviço, seja como prestador de informações ao seu pai, como escravo na casa de Potifar, como servo dos presos a cargo do carcereiro-mor e como governador do Egito. José sempre fez o melhor que podia em todas as atividades que assumiu, não sendo preguiçoso, sempre pronto a servir e a atender aos seus superiores e a todos quantos lhe procurassem. Devemos servir desta mesma maneira, não só a Deus, mas também a todos quantos o Senhor põe para serem servidos por nós (Ef.6:5-8).

3. Disposição para perdoar. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifar. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” (Gn.50:21).

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manassés a seu primeiro filho (Gn.41:51). O nome Manassés significa "perdão” – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn.45:18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma.

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn.47:11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn.50:19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família.

4. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Ele sempre se apresentou com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José!.

CONCLUSÃO

Os sonhos de José eram os sonhos de Deus. Inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna. Seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo. Seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa. Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a terra prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados.

Se aprendermos a viver na dependência de Deus, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn. 50:20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”(Rm.8:28). Deus ainda está escrevendo a nossa história, e o último capítulo ainda não nos foi revelado. Coisas melhores estão por vir!.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Elienai Cabral. O Deus da Provisão – Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às crises. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro Homens, um Destino.

Comentário Bíblico Beacon.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. José, um líder piedoso e temente a Deus. PortalEBD_2007.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

terça-feira, 1 de novembro de 2016

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL


Aula 06 – DEUS: O NOSSO PROVEDOR

4º Trimestre/2016

Texto Base: Gênesis 26:1-33

"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (João 16:33).



INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos a respeito das crises que Isaque, filho de Abraão, enfrentou, principalmente crise da falta de água e de alimento, além de vizinhos invejosos e perversos. Sua história está registrada em Gênesis 26:1-33. Isaque era o filho da promessa, mas isso não significava que ele não enfrentasse obstáculos e crises em sua vida. No lugar onde vivia houve uma grande seca, e todo o seu patrimônio corria o risco de ir à bancarrota. Por causa da escassez de grãos na terra, Isaque resolve sair de Canaã. Ele saiu rumo ao Egito, mas parou em Gerar, lugar dos filisteus. Antes de continuar sua caminhada para o Egito, o Senhor apareceu-lhe e disse: “Não desças ao Egito” (Gn.26:2). O Senhor o prevenira acerca dos perigos do Egito e prometeu abençoá-lo onde estivesse, mas não nesse lugar. A ideia de ir ao Egito lembrava experiências ruins que ocorrera com seu pai, Abraão. Isaque estava sendo lembrado pelo Senhor de que não seria bom que ele fosse ao Egito, uma vez que seu pai, Abraão, havia passado por experiências ruins naquele lugar, com consequências amargas que lembravam mentira, engodo e humilhação por estar fora da vontade de Deus. Agora, depois de muitos anos, Deus falou com Isaque, que à época já era pai de Esaú e Jacó, que não descesse ao Egito. Deus sabia, por sua presciência, que Isaque poderia ser vencido pelas tentações da terra e não teria firmeza suficiente para evitar as ameaças do povo daquela terra. Isaque obedeceu ao Senhor, ficou em Gerar. Por isso, sobreviveu àquela crise.

Vejamos, à luz deste episódio ocorrido com Isaque, alguns princípios norteadores para se sobreviver em tempos de crise. Adaptado do livro “Quatro Homens, um destino”, do Rev. Hernandes Dias Lopes – páginas 67 a 77.

I. NA CRISE, TOME ATITUDES CORAJOSAS, SOB O AUSPÍCIO DE DEUS (Gn.26:1-6)

Nas crises, duas atitudes são indispensáveis: oração e ação. É o binômio que nos mantém de pé nas circunstâncias adversas. Com a oração nós movemos o dedo de Deus em nosso favor, dinamizando as nossas ações, dando-nos pleno sucesso, contra o inimigo que nos roubou a bonança e a alegria.

1. Lute pela própria sobrevivência (Gn.26:1) - “Sobrevindo fome à terra, além da primeira havida nos dias de Abraão, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus”. A fome assola a terra onde morava Isaque. É tempo de escassez, de desemprego, de contenção drástica de despesas, de recessão. Isaque, porém, não ficou lamentando; ele saiu, se moveu. Hoje, vivemos o drama do achatamento da classe média, da falta de oportunidade e perspectiva para aqueles que não conseguem ter acesso às universidades. A batalha do emprego é maior do que a batalha do vestibular. O desemprego é um gigante. O medo do futuro apavora os pais de família.

2. Não busque atalhos sedutores (Gn.26.2) – “Apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Fica na terra que eu te disser”. Isaque foi tentado a descer ao Egito, lugar de fartura e riquezas fáceis. Mas Deus diz a Isaque: "Não desças ao Egito". Muitos querem soluções rápidas, fáceis e sem dor, em tempos de crise. Atividades ilícitas são oferecidas em épocas de crise. Precisamos ter cuidado para não transigir com os valores de Deus; precisamos ter cuidado para não tapar os ouvidos à voz de Deus. Portanto, desista das vantagens imediatas por bênçãos mais invisíveis (Gn.26:3) e remotas (Gn.26:4). Siga o projeto de Deus, ainda que isso pareça estranho. Não desças ao Egito.

3. Tire os olhos das circunstâncias e ponha-os nas promessas de Deus (Gn.26:3-5) – “habita nela, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu pai. Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e lhe darei todas estas terras. Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra; porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis”.

Deus diz a Isaque: Não fuja, fique! Floresça onde você está plantado. Não corra dos problemas; enfrente-os; vença-os. Seu futuro está nas mãos de Deus. Não deixe a ansiedade estrangular você: Onde morar? Onde trabalhar? Onde meus filhos estudarão? Como eu pagarei meu plano de saúde? E se eu ficar doente? Saiba que Deus cuida de você! Você vale mais do que as aves do céu e as flores do campo. Certa vez Jesus disse isso para os seus discípulos, que estavam ansiosos quanto à vida (Mt.6:25-34):

25. Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?

26. Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

28. E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam.

29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?

31. Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?

32. (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;

33. Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.

34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Deus conhece cada uma das nossas necessidades, e é poderoso para suprir todas elas. Deus acalmou o coração de Isaque e lhe disse: Calma! Eu estou com você. Calma! Eu tomo conta de tua descendência. Calma! Teu futuro está em minhas mãos, e não será destruído pelo terremoto das circunstâncias. Calma! Farei de você e da tua descendência uma bênção para o mundo todo!

Irmãos, a causa de nossa vitória não é ausência de problemas, mas a presença de Deus nos garantindo a vitória. Moisés não se dispôs a atravessar o deserto sem a presença de Deus. Paulo perguntou: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm.8:31). Você e Deus é maioria absoluta. Com Deus a seu lado, você é mais do que vencedor.

4. Obedeça sem racionalizações (Gn.26:6) – “Isaque, pois, ficou em Gerar”. Deus deu duas ordens para Isaque: não desças ao Egito e fica na terra de Gerar (Gn.26:2,6). Isaque não discute, não questiona, não racionaliza, não duvida. Isaque obedece de imediato, pacientemente. Ele aprendeu com seu pai, Abraão. Deus disse a Abraão: "Sai-te da tua terra [...] para a terra que eu te mostrarei", e Abraão saiu. Deus disse a Abraão: "Toma agora teu filho, o teu único filho; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto", e Abraão foi e ofereceu seu filho. Deus disse a Abraão: "Não estendas a mão sobre o mancebo", e ele obedeceu. O caminho da obediência é o caminho da bênção, da vitória. Portanto, na crise, não fuja de Deus, obedeça-lhe!

II. NA CRISE, VENÇA OS PROGNÓSTICOS PESSIMISTAS E FAÇA INVESTIMENTOS, EM VEZ DE FICAR LAMENTANDO (Gn.26:12-14)

12. Semeou Isaque naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cento por um, porque o SENHOR o abençoava.

13. Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo;

14. possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja.

Nos momentos de crise não podemos deixar que o pessimismo domine o ambiente. Lembram-se dos doze espias que Josué enviou para espiar a terra de Canaã? (Nm.13:26-33). Dez espias fizeram um relatório pessimista. Isto trouxe grande terror aos israelitas. Calebe acalmou o povo com palavras de ânimo e fé. Não negou o que os dez espias disseram, mas colocou sua esperança no que Israel podia fazer com a ajuda de Deus. Para ele e Josué não se tratava de Israel contra os gigantes, mas de Deus contra os gigantes. Porém os dez espias o contradiziam. Excluíam a Deus e exageravam seu relatório original. Agora todos os cananeus eram gigantes na opinião deles; não poderiam conquistar Canaã, diziam. Referindo-se aos filhos de Enaque, disseram que esses eram tão grandes que eles próprios se sentiam como gafanhotos diante deles. Realmente os enaquins eram homens grandes, mas pareciam ainda maiores porque os espias estavam com medo. Eles se viam como gafanhotos diante dos enaquins, mas se esqueceram do Senhor; se O tivessem incluído na equação o resultado seria totalmente outro.

Quando sentimos medo e perdemos nossa fé, tendemos a exagerar as dificuldades e os problemas. Mas se nos voltarmos para Deus, que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós (Ef.3:20), as dificuldades e problemas serão vistos com os olhos da fé, e teremos coragem de enfrentá-los, pois, com este poder, venceremos. Portanto, na crise, vença os prognósticos pessimistas e tome atitudes corajosas e inteligíveis.

1. Semeie na sua “terra”, ainda que todos duvidem que isso será um sucesso (Gn.26:12). Muitos podiam dizer: Isaque, o lugar é deserto, aqui não chove, a terra é seca, aqui não tem água, não vai dar certo, outros já tentaram e fracassaram, jamais sairemos dessa crise, não há solução! Mas, Isaque se recusou a aceitar a decretação do fracasso em sua vida. Ele desafiou o tempo, as previsões, os prognósticos, a lógica - "Isaque semeou naquela terra".

Eu conclamo você a parar de reclamar. Semeie em sua terra. Semeie em seu casamento. Semeie em seus filhos. Semeie em seu trabalho. Semeie em sua igreja. Não importa se hoje o cenário é de um deserto. Lance suas redes em nome de Jesus. Lance seu pão sobre as águas. Ande pela fé. Davi poderia ter pensado o mesmo diante de Golias - durante quarenta dias, o exército de Saul correu daquele gigante, com as pernas bambas de medo. Mas, em vez de correr do gigante, Davi correu para vencer o gigante e triunfou sobre ele. Alguém disse que a melhor defesa é o ataque. Agarre seu gigante pelo pescoço. Semeie em seu deserto. Deus faz o deserto florescer!

2. Torne-se um especialista no que você faz, não se acomode (Gn.26:18-22). Isaque tornou-se um especialista em cavar poços. Diz o texto sagrado:

18. E tornou Isaque a abrir os poços que se cavaram nos dias de Abraão, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão), e lhes deu os mesmos nomes que já seu pai lhes havia posto.

19. Cavaram os servos de Isaque no vale e acharam um poço de água nascente.

20 Mas os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o poço de Eseque, porque contenderam com ele.

21. Então, cavaram outro poço e também por causa desse contenderam. Por isso, recebeu o nome de Sitna.

22. Partindo dali, cavou ainda outro poço; e, como por esse não contenderam, chamou-lhe Reobote e disse: Porque agora nos deu lugar o SENHOR, e prosperaremos na terra.

Quando estamos vivendo num deserto, precisamos nos tornar especialistas em derrotar crises. Isaque começou a cavar poços, cavou sete poços. Ele se especializou no que fazia. Ele buscou um milagre, mas estava pronto a suar a camisa. Isaque não ficou deitado esperando que os céus resolvessem o seu problema, não. Ele arregaçou as mangas e buscou uma solução para a crise que o rodeava.

Você quer ser aprovado no vestibular? Então estude com afinco. Você quer passar num concurso? Então estude com seriedade. Um especialista disse que é mais fácil ganhar na loteria do que passar num concurso sem estudar. Você está desempregado e quer arranjar um novo emprego? Então, saia de casa o mais rápido possível e lute pelo seu sonho. Você quer ser uma pessoa próspera? Então, mexa-se, pare de ficar deitado de papo para o ar. Vá à luta. Especialize-se no que você faz. Isaque tornou-se doutor em cavar poços no deserto. Por isso, ele prosperou quando todo mundo estava reclamando da crise e da fome.

3. Faça o ordinário e espere o extraordinário de Deus (Gn.26:12-14). Isaque colheu a cem por um no deserto, na seca (Gn.26:12). Diz o texto sagrado: "E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo" (Gn.26:13). Isaque tornou-se um próspero empresário rural (Gn.26:14). Isto não é extraordinário? Qual a razão deste fantástico sucesso? O Senhor o abençoava sobremaneira (Gn.26:12b). Havia naquele negócio a intervenção sobrenatural de Deus, mas é bom salientar que isto não anula a ação natural do homem. Isaque trabalhou dedicadamente e experimentou o milagre de Deus na crise, mas não prosperou na passividade. Ele cavou poços. Ele plantou. Ele investiu. Ele trabalhou. Ele foi um empreendedor. Saibamos que há uma profunda relação entre a diligência humana e a bênção de Deus, entre trabalho e prosperidade (cf. Pv.10:4; 13:4; 28:19). Portanto, é hora de parar de falar em crise e arregaçar as mangas. É hora de parar de reclamar e começar a trabalhar com afinco.

III. NA CRISE, EM VEZ DE SE ACOMODAR, BUSQUE VELHAS E NOVAS POSSIBILIDADES (Gn.26:18-22,25,32)

1. Isaque aprendeu com a experiência dos mais velhos (Gn.26:18). Isaque reabriu os poços antigos de seu pai - “E tornou Isaque a abrir os poços que se cavaram nos dias de Abraão, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão), e lhes deu os mesmos nomes que já seu pai lhes havia posto”.

Isaque reabriu as fontes de vida que abasteceram seus pais. Precisamos redescobrir as fontes de vida que nossos pais beberam e que foram entulhadas pela corrupção dos tempos. Precisamos cavar esses poços outra vez. Lá tem água boa. Lá têm mananciais. Precisamos voltar a reunir a família em torno da Palavra. Precisamos orar juntos. Precisamos voltar a fazer o culto doméstico. Precisamos voltar às antigas veredas, em vez de ficar flertando com as novidades do modernismo teológico liberal. Não estamos precisando de novidades, de correr atrás de cisternas rotas. Não precisamos de outro Evangelho (Gl.1:6).

2. Isaque abriu novos poços, mostrando que não se contentava com as experiências do passado, ele queria mais (Gn.26:19-22,32). Isaque era um empreendedor. Ele queria mais. Precisamos aspirar mais do que nossos pais aspiraram. Precisamos avançar mais do que eles avançaram. Os melhores dias não ficaram para trás, estão pela frente. Não podemos deixar que as experiências do passado sejam o limite máximo de nossas buscas. Não podemos jogar o passado fora nem idolatrá-lo. A história é dinâmica. Devemos aprender com o passado, viver no presente, com os olhos no futuro. Isaque saiu da terra dos filisteus, foi para o vale de Gerar, depois para Reobote, depois para Berseba. Mas, para onde quer que ia, ele cavava poços. Ele queria água no deserto. Berseba era um deserto, mas agora é uma cidade, porque Isaque achou água ali.

3. Isaque retirou o entulho dos filisteus para que a água pudesse jorrar (Gn.26:18). Isaque compreende uma verdade sublime: havia água nos poços. Mas ela não podia ser aproveitada. Primeiro era preciso retirar o entulho dos filisteus. Deus tem para nós fontes, rios de água viva. Nós não os recebemos porque há entulho para ser retirado. Antes de sermos cheios do Espírito de Deus, precisamos retirar o entulho do pecado: incoerência - vida dupla, ortodoxia morta, legalismo; impureza — fornicação, pornografia, adultério; incredulidade — secularismo, mundanismo, falta de fervor.

IV. NA CRISE, PROTEJA O SEU CORAÇÃO DA AMARGURA, EM VEZ DE BRIGAR PELOS SEUS DIREITOS (Gn.26:14b-21)

14. Possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja.

15. E, por isso, lhe entulharam todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado, nos dias de Abraão, enchendo-os de terra.

16. Disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque já és muito mais poderoso do que nós.

17. Então, Isaque saiu dali e se acampou no vale de Gerar, onde habitou.

18. E tornou Isaque a abrir os poços que se cavaram nos dias de Abraão, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão), e lhes deu os mesmos nomes que já seu pai lhes havia posto.

19. Cavaram os servos de Isaque no vale e acharam um poço de água nascente.

20. Mas os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o poço de Eseque, porque contenderam com ele.

21. Então, cavaram outro poço e também por causa desse contenderam. Por isso, recebeu o nome de Sitna.

Destaco duas verdades importantes aqui:

1. Esteja no controle de seus sentimentos, pois sua paz de espírito é melhor do que a riqueza. Isaque enfrentou a inveja dos filisteus (Gn.26:14), a suspeita e a rejeição de Abimeleque (Gn.26:16) e a contenda dos pastores de Gerar (Gn.26:20,21). As pessoas normalmente não se alegram quando você prospera. Inveja, rejeição e contenda são tensões que você precisa enfrentar.

Como Isaque enfrentou a inveja, a rejeição e a contenda? Com equilíbrio, paciência e mansidão. Virtudes que, hoje, estão ausentes em muitos que cristãos dizem ser. Quando Abimeleque o mandou sair de sua terra, ele saiu. Quando os filisteus encheram seus poços de entulho, ele saiu e abriu outros poços. Quando os pastores de Gerar contenderam para tomar os dois poços novos, ele não discutiu, foi adiante para abrir o terceiro poço. A prosperidade que não passa pela paz de espírito não é a verdadeira prosperidade.

A Paz de Deus implica uma prosperidade ampla, que abrange todas as áreas dos nossos relacionamentos. Precisamos ter paz com Deus e com os homens. Precisamos ter relacionamentos na vertical e também na horizontal. Precisamos ter pressa em fugir de contendas e também em perdoar aqueles que nos ferem. Quem guarda mágoa e passa por cima dos outros não é feliz. Quem atropela os outros e fere as pessoas não tem paz. Isaque nos ensina que é melhor sofrer o dano do que entrar numa briga buscando nossos direitos.

2. Quando você teme a Deus, Ele reconcilia com você seus inimigos (Gn.26:26-33).

26 De Gerar foram ter com ele Abimeleque e seu amigo Ausate e Ficol, comandante do seu exército.

27 Disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois me odiais e me expulsastes do vosso meio?

28 Eles responderam: Vimos claramente que o SENHOR é contigo; então, dissemos: Haja agora juramento entre nós e ti, e façamos aliança contigo.

29 Jura que nos não farás mal, como também não te havemos tocado, e como te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu és agora o abençoado do SENHOR.

30 Então, Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam.

31 Levantando-se de madrugada, juraram de parte a parte; Isaque os despediu, e eles se foram em paz.

32 Nesse mesmo dia, vieram os servos de Isaque e, dando-lhe notícia do poço que tinham cavado, lhe disseram: Achamos água.

33 Ao poço, chamou-lhe Seba; por isso, Berseba é o nome daquela cidade até ao dia de hoje.

Abimeleque expulsou Isaque, mas agora o procura, pede perdão e reconhece que Isaque é "o abençoado do Senhor" (Gn.26:29). Isaque teve uma reação transcendental, ele perdoou Abimeleque e eles se reconciliam. Ele perdoou aqueles que lhe fizeram o mal. Isaque mostrou que o perdão não é simplesmente uma questão de ação, mas, sobretudo uma questão de reação. O perdão é a transcendência do amor, é vencer o mal com o bem. É impossível ser verdadeiramente próspero sem exercitar o perdão. Jesus ilustra isso no sermão do monte (Mt.5:39-42). Ele diz que quando uma pessoa nos ferir a face direita, devemos voltar-lhe a outra face; quando a pessoa nos forçar a andar uma milha, devemos ir com ela duas milhas; quando uma pessoa procurar nos tirar a capa, devemos dar-lhe também a túnica. O que representa essas três figuras alistadas por Jesus? Primeiro, quando uma pessoa nos fere no rosto ela agride a nossa honra; Segundo, quando uma pessoa nos força a fazer o que não desejamos, ela agride a nossa vontade; Terceiro, quando uma pessoa nos toma as vestes pessoais ela agride o nosso bem mais íntimo e sagrado. Jesus quis realçar que mesmo que os pontos mais vitais da vida sejam atingidos - como a honra, a vontade e os bens inalienáveis -, devemos reagir transcendentalmente, ou seja, com perdão.

Jesus Cristo nos ensina que: se eu não perdoar não posso orar; se eu não perdoar não posso adorar; se eu não perdoar não posso ofertar; se eu não perdoar, não posso ser perdoado; se eu não perdoar, eu adoeço fisicamente, emocionalmente, espiritualmente; se eu não perdoar, a minha alma, a minha vida será entregue aos verdugos da consciência e eu ficarei cativo e prisioneiro sem paz. Com bem diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, o perdão é assepsia da alma, é a alforria do coração, é a faxina da mente. Se eu não perdoar, não serei considerado filho de Deus (Mt.5:44). Portanto, o perdão é necessário!

CONCLUSÃO

Se estamos em crise, se estamos angustiados, se estamos desesperados, vamos entregar a nossa causa a Jesus. Ele sabe o que está fazendo. Ele sabe quem somos, onde estamos, o que estamos passando, e Ele pode vir trazer o socorro de que tanto precisamos. O mundo está em crise, mas os céus não. O Senhor é soberano e não perdeu o controle da situação. O governo está em suas mãos. Ele tem o suprimento para todos aqueles que nEle confiam. Ele é o Deus da provisão. Portanto, se você está no deserto, ouça o que Deus está lhe falando pela sua bendita Palavra. Siga a direção de Deus e semeie em seu deserto. Se você vive num lugar seco, reabra os poços antigos. Busque as fontes da graça de Deus. Retire os entulhos. Não deixe seu coração azedar. O seu deserto florescerá. Se o chão está duro, regue a semente com suas lágrimas e prepare-se para uma colheita miraculosa.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Elienai Cabral. O Deus da Provisão – Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às crises. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro Homens, um Destino.

Comentário Bíblico Beacon.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/

domingo, 23 de outubro de 2016

EBD ESCOLHAS PRECIPITADAS



Aula 05 - AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS

4º Trimestre/2016

Texto Base: Gênesis 13:7-18

"O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura" (Pv.14.29).



INTRODUÇÃO

As Escrituras Sagradas dão testemunhos de várias personagens bíblicas que fizeram más escolhas e boas escolhas. As más escolhas geralmente foram tomadas num contexto de precipitação ou extraordinária pressão. Nesta Aula, daremos maior ênfase a dois personagens bíblicos: Abraão, que fez uma excelente escolha e; Ló, sobrinho de Abraão, que fez uma escolha precipitada. Ló, em um gesto precipitado, tomou uma decisão que acabou por gerar uma crise que causou consequências nefastas para sua família (Gn.13:10-13). Uma escolha sem a direção de Deus pode trazer prejuízos irreparáveis para si e para outrem. Portanto, antes de tomar uma decisão e fazer uma escolha devemos pedir a orientação de Deus. Não devemos agir sem pensar e acima de tudo sem orar, pois somente Deus conhece todas as coisas. Somente Ele sabe aquilo que é melhor para todos nós.

I. O CUIDADO COM AS ESCOLHAS

Em nossa jornada somos desafiados a decidir e fazer escolhas. É nesse momento que a vida de uma pessoa será definida, para o progresso ou para a derrota. Todos os dias, temos de tomar decisões pequenas ou grandes. A maior delas é a de servir ao Senhor. Josué, no último momento como líder do povo de Israel, conclama o povo a tomar uma decisão acertada e pública; não havia lugar para indecisão, por isso foi tão enfático: “Escolhei hoje a quem haveis de servir” (Js.24:15). A decisão tinha que ser “hoje”. A Bíblia diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações”(Hb.4:7). Diante de tantas influências que recebemos do mundo para o nosso viver, a nossa decisão deve ser tal qual à de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Qual tem sido a decisão de vida para cada um de nós, pessoalmente, e para a nossa família? Corajosa e resoluta como a de Josué? Não espere ficar velho para tomar essa decisão, pois o Senhor virá como um ladrão, ou seja, não hora em que nós não esperamos (1Tes.5:2; 2Pd.3:10).

1. A prosperidade de Abraão. Deus abençoou Abraão com bênçãos materiais de forma abundante. Diz o texto sagrado que “... a sua fazenda era muita...”(Gn.13:6). O segredo do sucesso de Abraão: comunhão plena com Deus. Quanto mais Abrão mantinha comunhão com Deus mais próspero materialmente ele ficava. A obediência à Palavra de Deus era o combustível que o levava a uma vida abundante. O Altar era um marco sempre presente na vida de Abraão, em todos os caminhos de suas peregrinações (Gn.12:7,8; 13:4,18; 22:9). Era o local onde Abraão adorava a DEUS. Era o lugar onde ofertava sacrifícios a DEUS. Ele edificava seus altares em locais visíveis, diante dos povos pagãos que moravam ao seu redor. Que testemunho! Os crentes, que de contínuo vivem diante do Altar, dão testemunho de "terem estado com Jesus” (Atos 4:13).

Abraão viveu nas terras da promessa como um estrangeiro, morando em tendas, pois esperava a Cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é DEUS (Hb.11:9,10). Abraão nunca se prendeu a nenhum lugar da terra de suas peregrinações. Estava sempre em trânsito (Gn.12:8). Deixando um lugar, ficavam apenas as marcas de seu acampamento. Também nós, como crentes, somos peregrinos e forasteiros nesta Terra (1Pd.2:11). Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura (Hb.13:14). Estamos no mundo, mas não somos do mundo (João 17:16,18). Devemos sempre estar prontos para partir.

Outra característica marcante na vida de Abrão: conquanto fosse muito rico, não punha seu coração nas riquezas daqui. Ele não ligava muito para isso. No dia que retornou da guerra contra os quatro reis, o rei de Sodoma quis compensá-lo com riquezas materiais, ele as rejeitou terminantemente (Gn.14:21-24). Para Abraão, riquezas não dadas por Deus não tinha nenhum valor – “Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, e juro que, desde um fio até à correia dum sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão” (Gn.14:22,23). Muitos, hoje, dos que cristãos dizem ser, ao contrário de Abraão, só pensam em bens materiais, querem enriquecer com campanhas, sacrifícios, fogueiras santas etc. São pessoas que vivem como os gentios, que têm as mesmas preocupações e propósitos que os gentios e que, portanto, pertencem a este vasto grupo onde o amor está esfriando pelo aumento da iniquidade e que, buscando a riqueza material, não vê que se comporta como um pobre, desgraçado e nu (Ap.3:17). Vigiemos e não entremos nesta onda, que nos levará para a perdição eterna!

2. Abraão fez a escolha certa. Abrão teve um momento decisivo em sua vida. Quando ainda morava em Ur, o Deus da glória lhe apareceu e lhe fez uma chamada que compreendia três diferentes ordens: “sai da tua terra", "sai da tua parentela”, e “dirige-te à terra que eu te mostrar" (Atos 7:2,3). Abrão deveria decidir em obedecer e desobedecer a Deus. Como já disse na Aula 03, embora Deus seja soberano e livre para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e não outra pessoa das milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita, decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão decidido partir por sua livre e espontânea vontade. Esta é a grande diferença entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem, retira a sua liberdade, enquanto que Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade, o poder de decisão, como se vê claramente em Gênesis 2:16,17.

Abraão foi desafiado a crer e obedecer, embora não conhecesse todo o projeto que Deus tinha para sua vida e, por conseguinte, para toda a humanidade. Abrão fez a escolha certa, resolveu obedecer ao chamado de Deus. Embora não tivesse noção de para onde iria, decidiu confiar em Deus. Em nossa jornada precisamos aprender a confiar em Deus e nos colocar em sua total dependência. Só assim teremos escolhas decisivas que podem nos proporcionar vida abundante.

3. Abraão desce ao Egito. A fé tem sempre deslizes, até mesmo nos mais destacados homens de Deus. Por causa de uma fome que atingiu a região, Abraão deixou o lugar que Deus lhe indicara e desceu ao Egito, símbolo do mundo. Essa mudança trouxe problemas a Abrão. Ao chegar no Egito foi acometido de um medo obsessivo de que Faraó o matasse, capturando sua formosa esposa Sara, e a levasse para seu harém. Com isso em mente, Abrão convenceu Sara a mentir e dizer que era sua irmã. É verdade que Sara era meia-irmã de Abrão (Gn.20:12), mas ainda assim era uma mentira com propósito de enganar. O artificio deu certo para Abrão (que foi recompensado generosamente), mas não funcionou para Sara (que, no fim, teve de se juntar ao harém de Faraó), nem mesmo para Faraó (ele e toda a sua casa sofreram grandes pragas). Quando Faraó descobriu a fraude, deu uma bronca no patriarca, o humilhou publicamente e o expulsou em desonra (Gn.12:19,20). Abraão voltou para Canaã. Mas, juntamente com o retorno de Abrão do Egito [...] até Betel (Gn.13:1-4), percebe-se a volta à comunhão com Deus. “Retornar a Betel” é o desejo latente de todos aqueles que se apartaram de Deus.

II. LÓ É ATRAÍDO POR AQUILO QUE VÊ

Ló, sobrinho de Abraão, é um exemplo bíblico de escolha precipitada. Ele foi atraído por aquilo que viu. Chamamos isso de concupiscência dos olhos. A concupiscência dos olhos diz respeito àquelas tentações que apelam para os desejos ambiciosos dos homens de obter e possuir. A concupiscência dos olhos nos leva a colocarmos as "coisas materiais" na frente do Senhor (Cl.3:15). Ao se separar de seu tio, ele escolheu um caminho que a seus olhos parecia ser o melhor. Ele não perguntou a vontade de Deus e não honrou Abraão, o chefe do clã, ao escolher primeiro as suas terras. Ló foi precipitado e seduzido pelo seu olhar. Pagou um preço muito alto pela sua atitude precipitada.

1. Briga entre os pastores de Abraão e Ló. Ao chegar a Canaã os pastores de Ló e Abrão brigaram por espaço para seus rebanhos. Apesar da deslealdade praticada por Abrão no Egito, ainda assim o Senhor decidiu abençoá-lo naquele lugar; Abrão e Ló prosperaram - possuindo servos, ovelhas e gado. A multiplicação dos rebanhos de Abrão e Ló foi tão significativa que eles chegaram à conclusão de que era impossível a coexistência nas mesmas terras de pastagens. A prosperidade gerou uma crise entre família, entre Abrão e seu sobrinho Ló, pois não havia mais espaço suficiente para ambos no local onde viviam. Faltava água e pastagem para tantos animais, e em pouco tempo, os pastores de Abrão e Ló começaram a brigar. A contenda estava instalada na família, e era preciso tomar uma decisão.

2. A decisão de Abraão. O patriarca logo tentou resolver a situação conflituosa. Ele não adiou o problema, mas chamou seu sobrinho para uma solução pacífica - “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim...” (Gn.13:9). Às vezes, pessoas da mesma família devem separar-se em prol da paz (ver Atos 15:39; 1Co.7:10-16). A partir daquele instante cada um deveria escolher o próprio caminho - “e escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda” (Gn.13:9). Com cortesia, bondade e altruísmo, Abraão ofereceu a Ló a oportunidade de escolher em toda a terra onde desejava morar. Humilde, o patriarca considerava os outros superiores a si mesmo (Fp.2:3).

Abrão renunciou à campina com o melhor pasto, mas Deus entregou toda a terra de Canaã a Abrão e seus descendentes para sempre. Além disso, o Senhor prometeu ao patriarca uma descendência incontável. Após se mudar para Hebron, Abrão levantou ali um altar ao Senhor; como de costume, construiu um altar para o Senhor, mas nunca uma casa para si.

3. A escolha precipitada de Ló. Abraão, em um gesto de bondade e mansidão, fez a seguinte proposta ao sobrinho: "Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda" (Gn.13:9). Ló escolheu morar nas pastagens verdejantes da campina do Jordão, perto das cidades perversas de Sodoma e Gomorra - “E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn.13:10-13).

Ló foi seduzido pela aparência do lugar. Escolhas precipitadas, feitas somente pela aparência, podem causar muitos males. Apesar de crente verdadeiro (2Pd.2:7,8), Ló tinha um gostinho pelas coisas do mundo. Conforme alguém comentou, “Ló ficou com grama para seus rebanhos, enquanto Abrão ficou com graça para os seus filhos” (Gn.13:15,16).

“Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn.13:13). O fato de os homens de Sodoma e Gomorra serem maus e grandes pecadores contra o Senhor não influenciou a escolha de Ló. Foi uma sequência de decisões. Observe os passos que o levaram a mergulhar no mundanismo: Ló (por meio de seus pastores) experimentou contenda (Gn.13:7); depois viu (Gn.13:10) e escolheu (Gn.13:11); foi armando as suas tendas até Sodoma (Gn.13:12); passou a morar longe do lugar onde residia o sacerdote de Deus (Gn.14:12) e; sentava-se junto à entrada da cidade, lugar onde os grandes disputavam o poder político (Gn.19:1). Aparentemente, na cosmovisão humana, materialista e desviada de Deus, Ló tinha progredido na vida: ele se tornou um oficial local em Sodoma. Mas, quando se olha com os olhos de Deus, vemos que foi um péssimo negócio para Ló. De forma precipitada, fez a sua escolha optando por aquilo que parecia ser melhor aos seus olhos (Gn.13:10). Ele não buscou a Deus para tomar a decisão que seria a mais importante para o seu futuro e da sua descendência.

A precipitação é um grande mal que deve ser evitado sempre. Quando nos precipitamos não raciocinamos, não prestamos atenção ao bom senso, não andamos por fé, mas apenas por vista. Quem tem a mente de Cristo deve sempre manter os pés no chão, pedir orientação a Deus e aguardar o calor dos acontecimentos passarem. Fácil?! Não, não é uma tarefe fácil, mas sem dúvida trata-se de uma atitude responsável e madura que leva em conta o fator global da circunstância e não somente parte dela, nem prioriza o fator emocional do acontecimento.

III. LÓ, UM CASO DE PROSPERIDADE E PERDAS

1. Ló e suas riquezas. Não era só Abrão que era rico em rebanhos, vacas e tendas. Seu sobrinho Ló também tinha rebanhos numerosos (Gn.13:5,6) - “E também Ló, que ia com Abraão, tinha rebanhos, gado e tendas. [...] porque os seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos”. Mas, apesar da sua prosperidade, Ló andava por vista e não por fé (Gn.13:7-13). No momento mais decisivo de sua vida não consultou o Senhor para uma escolha correta.

- Ló fez uma decisão pelo que viu, deixou-se levar pelas aparências. Foi ganancioso e precipitado - “Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente; assim se apartaram um do outro. Habitou Abraão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma” (Gn.13:10-12). Foi um pecado em série – “foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma”.

A ambição é sinônimo de cobiça, e a cobiça é transgressão à Lei de Deus (vide Êx.20:17). A Palavra de Deus nos diz que não devemos ambicionar “coisas altas” (Rm.12:16) - “…não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes…”. A ambição sufoca a Palavra no coração, tornando-a infrutífera (Mc.4:19) - “Mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas, entrando, sufocam a palavra e ela fica infrutífera”.

- Ló foi egoísta. Em nenhum momento ele pensou em seu tio. Só via a si mesmo. O egoísmo é a exaltação do próprio eu, do ego. O apóstolo Paulo diz que o egoísmo é uma característica dos homens dos últimos tempos - “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios” (2Tm.3:1,2).

- Ló não observou o lado negativo de sua escolha (Gn.13:13) – “Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores”. A Palavra de Deus nos alerta sobre os perigos de nosso envolvimento com o mundo - “Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus” (Tg.4:4).

Não se deixe enganar pela beleza das coisas desse mundo passageiro. Não abra mão daquilo que é eterno!

2. A guerra dos reis. A terra que Ló havia escolhido era boa, mas seus vizinhos não eram. Não demorou muito e Ló teve que enfrentar uma grande crise, uma guerra. Diz o texto sagrado:

“1 - E aconteceu, nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, 2 - que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a Sinabe, rei de Admá, e a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei de Bela (esta é Zoar). 3 - Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o mar de Sal). 4 - Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas, ao décimo-terceiro ano, rebelaram-se. 11- E tomaram toda a fazenda de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento e foram-se. 12 - Também tomaram a Ló, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda e foram-se. 13 - Então, veio um que escapara e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner; eles eram confederados de Abrão. 14 - Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã” (Gn.14:1-4;11-14).

No tempo de Abrão, a maioria das cidades possuía seus próprios reis, e eram comuns as guerras e rivalidades entre eles. Uma cidade conquistada pagava imposto ao rei vitorioso. Cinco cidades, incluindo Sodoma, haviam pago impostos a Quedorlaomer durante 12 anos (Gn.14:4). Quando as cinco cidades fizeram uma aliança e se negaram a pagar os impostos (Gn.14:4), Quedorlaomer reagiu rapidamente e reconquistou todas elas. Ao derrotar Sodoma, foram capturados Ló, sua família e seus pertences. Ló foi levado cativo e todos os seus bens e alimentos foram tomados como espólio de guerra. Ele agora era um prisioneiro e todos os seus bens foram perdidos. Decisões precipitadas podem nos fazer viver tempos conturbados.

3. Abraão socorre Ló. Ao ser avisado do desastre militar que haviam sofrido as cidades do vale, Abraão armou seus 318 servos, conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu os invasores. Abraão arrisca sua vida e fortuna para resgatar o seu sobrinho Ló, o qual foi sequestrado, perdeu suas posses e estava enfrentando escravidão. Abraão poderia ter se negado a ajudar Ló, pois ele mesmo tinha escolhido aquelas terras, mas o amigo de Deus não tinha um coração rancoroso, vingativo. Abraão recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque de surpresa à noite. Tudo que pertencia a Ló foi recuperado (Gn.14:16). Não obstante, o elemento mais importante foi a intervenção de Deus - “bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos” (Gn.14:20).

Nota-se que Abraão, o homem separado do mundo, não era indiferente aos sofrimentos dos que se encontravam ao seu derredor. Estava disposto a proteger seu indigno sobrinho e os de Sodoma. Isto demonstra que os que mantêm uma vida separada da pecaminosidade são os que atuam com mais prontidão e êxito em favor de outros no momento de crise.

CONCLUSÃO

Devemos aprender com as Escrituras que qualquer decisão importante que tomarmos não devemos fazê-la debaixo de pressão ou precipitadamente. Não se esqueça de que o Deus eterno tem todo o conhecimento e sabe o que é melhor para sua vida. Por isso, não faça nada sem consultar o Senhor. Porém, só consultar o Senhor e não confiar nele é inútil. Não confie nas suas próprias forças. O nosso fracasso decorre de acharmos que podemos conseguir por nós mesmos. Por isso, confie no Senhor e não nas suas forças e possibilidades. Não subestime os inimigos. A nossa luta não é contra a carne e o sangue em todas as instâncias da vida, mas contra os principados e potestades e dominadores do mal. Em toda a estrutura da sociedade há um poder maligno que opera e você precisa estar revestido da armadura de Deus para vencer (ver Efésios 6:10-18).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Dr. Caramuru Afonso Francisco. Tempos trabalhosos para a Igreja. PortalEBD_2007.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro homens, um destino.

Pr. Elienai Cabral. O Deus da Provisão, Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio ás crises. CPAD.

Bruce K. Waltke. GÊNESIS.

FONTE: http://luloure.blogspot.com.br/